Prof. Giancarlo Chelotti

27/08/2013 | 11:07
Compartilhar

Simulado MPU - Engenharia Florestal - nº 1

Olá concurseiros e concurseiras em busca da aprovação no MPU! Conforme prometido semana passada, aí vai o primeiro simulado da parte específica do cargo de Analista do MPU/Perícia/Engenharia Florestal.

 

Esse primeiro simulado refere-se ao item 1 da parte específica. Selecionei dez questões das duas provas mais recentes de florestal aplicadas pelo Cespe:DPF 2013 Perito Criminal Federal – Engenharia Florestal e Banco da Amazônia – Técnico Científico – Engenharia Florestal. Então vamos começar!

 

1º SIMULADO PARA PERITO MPU ENGENHARIA FLORESTAL.

 

Tema: 1 Ecologia florestal. 1.1 Caracterização ambiental. 1.2 Ecossistemas marginais. 1.3 Sucessão ecológica. 1.4 Análise de vegetação. 1.5 Recuperação de áreas degradadas.

 

1- A floresta, definida como uma formação arbórea densa na qual as copas se tocam e cobrem até 20% do solo, apresenta estrutura variada de acordo com as condições de clima e de solo.

 

2- O pantanal, considerado a savana com maior biodiversidade do mundo, e tido como o berço das águas do Brasil, uma vez que, nesse bioma, se originam importantes bacias hidrográficas, como as bacias do rio São Francisco, Tocantins-Araguaia e Paraná.

 

3- Denomina-se sucessão ecológica o estabelecimento de nova espécie no lugar de outra removida ou modificada, em consequência da ação contínua dos fatores ambientais sobre as plantas e da ação destas sobre o ambiente.

 

4- Sucessão secundaria consiste em uma área de floresta tropical implantada com o uso de um banco de sementes capazes de promover o surgimento de uma nova vegetação, que, após vinte anos, no máximo, terá evoluído para uma forma semelhante a da floresta primitiva.

 

5- Geralmente, a degradação de uma área ocorre em duas fases: quando está na fase inicial, é denominada degradação biológica; quando está na fase final, denomina-se degradação agrícola.

 

6- A recuperação por redefinição ou por redestinação tem objetivos definidos de utilização diferentemente das condições originais em que se encontrava a área degradada havendo, nesse caso, a necessidade de forte intervenção do homem.

 

7- Rompida a resiliência de um ecossistema, a recuperação da área degradada será possível com a ação antrópica, por meio, por exemplo, da reabilitação.

 

8- O pousio, uma estratégia de longo prazo para recuperação de áreas degradadas, consiste na interrupção das saídas de nutrientes do sistema, possibilitando-se, com essa estratégia, a recuperação da fertilidade do solo.

 

9- Para se obter o índice de valor de cobertura (IVC) de um habitat não se considera a dispersão média de cada espécie e atribuem-se pesos iguais ao número de indivíduos e à biomassa — cálculo que é diferente do que se efetua para a obtenção do índice de valor de importância (IVI) do mesmo ambiente.

 

10- O índice de Shannon é um índice não paramétrico de medida de similaridade de espécies que se baseia na abundância e na frequência proporcional das espécies. Na determinação desse índice, as espécies comuns têm maior peso que as menos comuns.

 

E aí? Gabaritou? Vamos às respostas:

 

1- A questão apresentou um conceito incorreto de floresta. Realmente a floresta pode ser definida como uma formação arbórea densa onde as copas se tocam, contudo a afirmação “cobrem até 20% do solo” está completamente equivocada. Na realidade é justamente o contrario! As copas têm que cobri pelo menos 20% do solo para que haja algum tipo de dossel que caracterize uma formação florestal.

 

GABARITO: E


 

2- Essa questão possui várias afirmações dentro dela vamos responder uma a uma: O pantanal é savana? Sim! Até aí ok. O pantanal é a savana com maior biodiversidade do mundo? Não! A savana com maior biodiversidade do mundo é o cerrado. O pantanal é tido como o berço das águas, onde se originam as bacias do São Francisco, Tocantins-Araguaia e Paraná? Não! O bioma onde se originam essas bacias é o Cerrado!

 

GABARITO: E

 

3- O conceito de sucessão ecológica apresentado na questão não é o tradicional, utilizado em ecologia. Contudo é um conceito muito utilizado pelos autores que trabalham com recuperação de áreas degradadas, principalmente aqueles que utilizam a sucessão ecológica como orientação para as técnicas de PRAD. Portanto o conceito apresentado está correto.

 

GABARITO: C

 

4- Vamos ver, simplificadamente, a diferença entre sucessão primária e secundária?

Sucessão primária: é a primeira colonização de seres vivos em um ambiente. Normalmente é muito lenta (séculos), devido a inexistência de fatores ambientais favoráveis.

Sucessão secundária: é a entrada de novas espécies em um ambiente devido a alteração das condições ambientais desse. Relativamente rápida (décadas), pode ocorrer tanto em decorrência de uma perturbação ou da colonização por sucessão primária.

A implantação de uma floresta via banco de sementes realmente é uma forma de sucessão secundária, contudo não se pode afirmar que em no máximo 20 anos terá sido formada uma floresta, muito menos que ela será semelhante à primitiva. A sucessão secundária normalmente demora muito mais de 20 anos para atingir o clímax e na grande maioria dos casos o clímax é diferente do original.

 

GABARITO: E

 

5- Gente! Que divisão é essa? Não existe essa divisão em degradação biológica e degradação agrícola! Que viagem!

 

GABARITO: E

6- A recuperação de uma área degradada por redefinição (ou redestinação) é aquele em que a área degradada é transformada em uma área não degradada completamente diferente do original. Por exemplo: transformar um campo de lavra em um lago, ou um pasto degradado em um parque de lazer. Para atingir esses objetivo há necessidade de forte intervenção humana. Portanto a questão está correta.

 

GABARITO: C

 

7- Perfeita a afirmação. Rompida a resiliência, a área é considerada degradada. A partir desse momento a ação antrópica é recomendada. Uma das técnicas é justamente a reabilitação que tem por objetivo a retomada das funções ambientais dá área sem buscar, necessariamente, a retomada da mesma comunidade vegetal.

 

GABARITO: C


8- É exatamente isso! O pousio é a interrupção das atividades agrícolas ou florestais, que retiram nutrientes do solo, para que esse recupere sua fertilidade.

 

GABARITO: C

 

9- Vamos relembrar o que é IVC e IVI?

 

IVC é a soma da densidade (nº indivíduos/ha) relativa e dominância (área basal/ha) relativa de uma espécie.

IVI é o IVC mais a frequência (nº vezes que uma espécie é encontrada nas parcelas). Ou seja, a frequência é uma medida de dispersão de uma espécie.

Dessa forma, o IVC não considera frequência, ou seja, não considera a dispersão média e como é uma simples soma da densidade e dominância, os dois fatores possuem o mesmo peso (1). Esse cálculo realmente é diferente do IVI, que leva em consideração a frequência, que leva em consideração a dispersão.

 

GABARITO: C

 

10- Essa parece difícil mas não é. O índice de Shannon é um índice de DIVERSIDADE não de similaridade. Outro erro é que esse índice se baseia na abundância e na RIQUEZA e não na frequência.

 

GABARITO: E

 

Respostas:

1- E, 2- E, 3- C, 4- E, 5- E, 6- C, 7- C, 8- C, 9- C, 10- E

 

E então? Gabaritaram? Espero que sim!

Semana que vem o simulado é sobre os itens 2 e 9 do edital.

 

Até lá!

Fiquem com Deus!

Fé e foco!

Um abraço do Prof. Giancarlo Chelotti


Comentários

  • 27/08/2013 - Mariana
    Esses simulados com seus comentários serão muito proveitosos.

    Obrigada Prof.
  • 27/08/2013 - Mariana
    Professor,

    Existe sim a degradação biológica e agrícola, porém sempre relacionados a degradação de pastagens.
    Link para um artigo sobre isto: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/60446/1/s07.pdf
  • 28/08/2013 - Prof Giancarlo Chelotti
    Mariana,
    não tinha conhceimento desse artigo. Muito obrigado pela informação.
    De qualquer forma você pode perceber que isso não muda o gabarito do item. Já que não existe essa divisão da degradação em fases, certo?
Comentar este artigo
MAIS ARTIGOS DO AUTOR
Compartilhar: