Prof. Fernando Mesquita

17/08/2013 | 09:27
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O Sucesso de A a Z - [S] <b>S</b>ervidores Públicos

"A melhor forma de acabar com um sonho é vivê-lo".

 
Se os artigos até agora foram motivadores, faço um esforço para que este seja desmotivador, em um sentido seletivo da expressão. 

 

Acredito que existe uma possibilidade de que você já seja servidor de algum órgão ou tenha passado em algum concurso, mas está em busca de algo melhor.

 

O serviço público tem seus problemas. Tem problemas de verbas, problema de recursos diversos, problemas de servidores sem compromisso, sem vergonha. Tem gente que se encosta. Tem gente que não respeita o público. Tem gente que fica dormindo com os pés na mesa quando deveria estar atendendo. Tem gente que empurra trabalho com a barriga. Tem órgão defasado, atrasado, caindo aos pedaços. Há exceções. Mas são isso: exceções.

 

Existe uma pequena parte do serviço público, entretanto, que funciona - essa, sim, dá orgulho de participar. E ela funciona porque existem pessoas que vivem sob uma regra, mesmo sem ter noção disso.

 

Esse artigo só terá a extensão que merece, porque a regra é simples:

 

Trate os outros como gostaria de ser tratado

 

Não foi sempre que vivi por essa regra, e admito ser bem difícil vivê-la todos os dias. Há dias em que você quer chutar o balde e dizer que pra você já chega. Há dias em que você não acredita nas coisas que vê ou que ouve e tem vergonha de fazer parte do serviço público.

 

Mas eu volto todos os dias porque sei que, fazendo minha parte, do meu jeito, no meu ritmo, participo da construção de um mundo e de um país melhores. E essa crença me faz procurar ser melhor.

 

Espero que meus colegas de trabalho se qualifiquem, espero que meus colegas servidores sejam educados e prestativos, que não empurrem o trabalho para outras áreas, que sejam interessados. Espero que os servidores sejam justos e probos e que não precisem da leitura dos códigos de ética para se firmar - esse código deveria reger nossa conduta todos os dias, em todos os momentos, dentro ou fora da repartição. No restaurante, na rua, no trabalho, em casa. Por isso, tento (nem sempre com sucesso, repito) fazer isso.

 

Referi-me recentemente ao artigo do William Douglas que falava sobre cuidar do próprio metro quadrado. Cuidar daquilo que você pode, contribuindo para um serviço público melhor e respeitável, e digno da confiança da população.

 

Muitas vezes falamos sobre como chegar lá (a aprovação), mas não falamos sobre o que fazer quando chegar lá. A dica é simples:

 

Trate os outros como gostaria de ser tratado

 

Isso foi dito bastante tempo atrás e tomou a merecida alcunha de "A Regra de Ouro". É também conhecida como a ética da reciprocidade. O conceito é exatamente esse: trate os outros como você gostaria de ser tratado.

 

Se todos vivêssemos segundo esse princípio, os problemas organizacionais e políticos seriam bem menores. Mas refiro-me, agora, a um nível bem mais "micro" - o nível de nossas relações cotidianas. Com clientes internos e externos, com colegas de trabalho, com os chefes e com os subordinados. O poder de pequenas ações é imensurável.

 

Poderia abordar infinitos outros aspectos do serviço público, e provavelmente vou ao longo do tempo. Mas gostaria que você pensasse no impacto que a aplicação dessa regra tão simples teria no mundo. E gostaria que mais pessoas agissem dessa forma. O exemplo é uma das ferramentas mais poderosas que existem.

 

"Apesar de tudo isso ainda vale a pena?" Bom... em boa parte, é exatamente por causa desses desafios que vale a pena.

 

Sucesso e boa conduta, e que muitos dos novos servidores do MTE, do MP, do Bacen, do MPU voltem aqui para dizer que estão fazendo seu melhor.

 

Fernando Mesquita

Coach | Ponto dos Concursos

fernando.mesquita@pontodosconcursos.com.br

 

Este artigo faz parte do grupo "Sucesso de A a Z", meu compromisso estabelecido com a grande comunidade do ponto em 29/07/2013. Um artigo por dia, cada um com uma letra do alfabeto no título. Sugestões? Comentários? Ansiedades? Deixei seu recado e faça parte de nossa crescente comunidade.

Comentários

  • 24/08/2013 - Viviane
    Fernando, o seu texto é muito sensato. Acredito que a maioria dos concurseiros pensa mais no salário que vai receber do que no trabalho que vai prestar à sociedade ou na interação e na troca que terá com as pessoas.
    Muitas vezes nos sentimos pequenos frente aos desafios. Servir nem sempre é fácil. Mas Deus colocou em nós - pequenas criaturas - a capacidade de fazer coisas incríveis. O exemplo do grão de mostarda, o exemplo do fermento na massa prova que as pequenas ações transformam toda uma realidade.
    Helen Keller, quando era jovem, disse que desejava fazer grandes coisas e não pôde. Então decidiu fazer coisas pequenas de uma maneira grandiosa.
    Parabéns por mais esse texto que nos faz refletir sobre o quanto precisamos nos doar. De um modo geral, as pessoas fazem o mínimo possível, sem se envolverem demais. Mas se a mudança não começar em nós, como poderemos cobrar dos outros?
    abs,
  • 26/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Viviane, muito obrigado. É verdade. Pensar no trabalho é raro, até porque o caminho até que se possa desempenhar a função é longo para muitas pessoas. Mas é necessário pensar nisso, sim. A mudança no pensamento, em nossa conduta com próximo sempre podem ser aprimoradas. E esse respeito é que constrói um bom serviço público e uma boa convivência de uma forma geral. Obrigado por comentar e sucesso.
  • 17/08/2013 - Messias Brito
    Artigo extremamente pertinente! Tb me preocupo com a avalanche de pessoas interessadas em se tornar servidores públicos, porém poucas interessadas em servir! Muitas vezes tb sinto vergonha de fazer parte do serviço público. Mas, ainda assim tento cuidar do meu metro quadrado. Penso q a preparação pra concursos deveria passar tb pela preparação para aprender a servir com espírito público, tendo a melhoria do país e da vida da população como alvo constante! Os concursos precisam criar meios de identificar candidatos q possuam vocação para servir!
  • 18/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Messias, é verdade. Pensar em servir também é parte importante de nossa trajetória. Bons servidores são, antes de tudo, boas pessoas. Espero que o serviço público possa contar cada vez mais com elas. Obrigado por comentar. Bons estudos e sucesso.
  • 17/08/2013 - Marcelo
    Mas é quando você trata os outros como gostaria de ser tratado e não há reciprocidade nisso ? Quem já lidou com atendimento ao público ou já trabalhou em uma repartição onde há panelinhas sabe que a solução não é tão simples assim, muito bonito no discurso, mas no dia a dia a coisa não é tão simples assim não.

    mas o artigo tem seu mérito por levantar um assunto que poucos têm noção, muita gente acha que o serviço público e uma mar de rosas e que servidor público não tem problemas no local de trabalho.
  • 18/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Marcelo, tudo bem? Essa questão de não ter reciprocidade é um problema antigo. Certa vez, durante a juventude rebelde, ouvi uma história com uma frase que me marcou bastante - e de que nunca esqueci. O autor, após uma longa contextualização (típica dos textos com moral ao final), dizia "Não deixei os outros decidirem seu comportamento". Se as pessoas não correspondem à nossa expectativa, isso é problema delas, não nosso. É fácil? Claro que não. Mas nada do que temos falado aqui é fácil. Discordo de você só nesse ponto - acho que é extremamente simples, como disse. Só não é fácil. Obrigado por comentar, obrigado com acompanhar a série e sucesso nos estudos.
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