Prof. Fernando Mesquita

14/08/2013 | 10:38
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O Sucesso de A a Z - [P] <b>P</b>roblemas e o Poder das Perguntas

Eu juro que ia falar de planejamento desde o início. Juro. Mas como outros temas vão abordar o tópico (incluindo Objetivos e Técnicas de estudos), achei que seria interessante tratar do tópico atual agora, porque ele pode realmente ser considerado uma das chaves no desempenho e na aprovação. (o artigo sobre planejamento já foi escrito. Está na lista de publicações pós-Sucesso de A a Z).
 

Se você leu o artigo sobre disciplina, sabe que ela não é um problema de organização. Eu falei sobre isso. Há pessoas por aí com planejamentos perfeitos e nenhuma ação. Se você já tentou fazer algum planejamento mais sofisticado, certamente percebeu que tirar o plano do papel normalmente é o mais complicado. Se você estuda administração, sabe que o ciclo PDCA, amplamente conhecido, trata de Plan (Planejar), Do (Fazer), Check (Conferir, Controlar), Act (Agir, corrigir).

Isso significa que muitas vezes o que nos impede não é a falta de recursos, a falta de tempo, a falta de disciplina, a falta de qualquer coisa que seja - porque esses problemas são extremamente vagos e exigem uma série de comportamentos e de análises para poder chegar à raiz do problema.

 

Isso significa que é impossível resolver seu problema? Não. Significa que você vai precisar de um comportamento diferente do que teve quando o problema surgiu.

 

Albert Einstein certa vez disse:

 

Os problemas mais graves que enfrentamos não podem ser resolvidos com o mesmo estado de espírito em que os criamos

 

O que isso quer dizer? Que pode ser que seu problema ainda seja um problema que te afligia tempos atrás, mas que não encontramos saída para ele com as ferramentas atuais que temos.

 

Recentemente, escrevi um artigo não publicado que se chama "Entendendo o problema - a importância de dissecar a equação". Ele fala dos três estágios de conhecimento - Reconhecimento, Aprofundamento e Proficiência e das formas de lidar com cada um desses estágios, os tipos de estudo mais apropriados. Em breve, se tiver a oportunidade, publicarei-o aqui para você. É uma situação parecida com o que temos agora, mas com um enfoque diferente.

 

Neste momento, quero abordar o problema de uma perspectiva pessoal.

 

A necessidade de avaliação

 

Lord Kelvin (é, o cara da escala de temperaturas) certa vez disse:


"O que não pode ser medido não pode ser controlado"

No artigo N, falamos sobre a importância de medir o desempenho. Só por meio dessa medição é possível saber como está seu progresso. Mais do que isso, é importante que você saiba o desempenho em cada matéria, porque só assim você pode focar no problema.

O foco no problema é uma das atividades que, consideradas isoladamente, tem o maior peso no auxílio de problemas relacionados não só aos estudos, mas à vida em geral. Veja:

 

O foco no problema

Se você queria uma solução para todos os seus problemas, aqui está - foque neles e só esqueça-os quando estiverem resolvidos. Pense sobre eles, faça desenhos deles, fluxogramas, entenda-os e você será capaz de vencê-los.

 

"Fernando, não consigo passar em um concurso".

 

Existe um famoso professor em Brasília, um prodígio nos estudos, que diz que o problema é a quantidade de horas que suas nádegas passam junto à cadeira. Ele não é delicado assim, mas a essência é essa. Sou completamente avesso a esse tipo de abordagem, porque algumas pessoas tendem a achar que o problema se resume à falta de estudos. Mas aí nós chegamos a uma análise um pouco mais profunda. Veja:

 

Caso Problemas associados ao caso
"Fernando, não consigo passar no concurso que quero" Falta de motivação
Falta de estudo (ok, concedo que pode ser um fator)
Materiais inadequados (defasados, inadequados, mal escritos)
Falta de conhecimento
Falta de exercícios (prática)
Estudos equivocados
Problemas de compreensão
Problemas de revisão
Problemas de leitura
Distribuição ruim de tempo
Excesso de estudos
Excesso de leitura
Complicações excessivas
Falta de atividades físicas
Falta de compromissos sociais
Falta de confiança em si
Falta de confiança no método
etc...


Então, é muito arriscado ser reducionista ao ponto de achar que o estudo puro e simples resolverá o problema. E isso é muito fácil de observar: há pessoas que, por mais que estudem, não conseguem passar. E há pessoas que estudam duas a três horas por dia e são aprovadas. O diferencial, certamente, não está nas horas de estudo - desculpe, professor.

Por outro lado, saber por onde começar a avaliar os problemas é uma grande habilidade que pode ser adquirida com a prática constante de uma atividade apenas:

 

Perguntas

Perguntas são poderosas. Perguntas criam conhecimento, inauguram curiosidades científicas, descobrem segredos, mistérios e nos ajudam a entender o mundo a nosso redor.

Melhor ainda, perguntas nos ajudam a passar em concursos.

Fazer perguntas foi o que me levou a escrever esses artigos. "Quais são os problemas que os concursandos enfrentam diariamente que, se mitigados, permitiriam que atingissem o sucesso?". Ao longo da prática do coaching, faço muitas perguntas - que, inclusive, são a base do programa: "O que te atrapalha? O que te ajuda? O que te move? Como você estuda? Como você revisa?".

Perguntar é forte e pode parecer invasivo, mas com o tempo, vê-se que a curiosidade não existe só por existir, ela normalmente atende a uma finalidade - queremos conhecer as pessoas, queremos entender como o mundo funciona. Crescemos grandes perguntadores, até o dia que começamos a ouvir "Porque sim". A sede pelo conhecimento logo decai e, no mais das vezes, nos tornamos apáticos e chegamos ao ponto de preferir não saber. Isso é um absurdo, mas é exatamente o que acontece.

 

 

A problemática das perguntas

Como dito, perguntas muitas vezes podem parecer invasivas, porque quando perguntamos precisamos de respostas. E respostas exigem por vezes verdades que não estamos prontos para assumir.

Se te pergunto: "Por que você não passou na prova?", você pode me dizer uma série de coisas. Desde "não estava preparado" até "a prova estava difícil", passando por "não estudei o suficiente".

Qualquer que for a razão, é fato que problemas com o estudo permeiam o resultado.

Pode ser que você soubesse todo o conteúdo - mas tenha ficado nervoso no dia da prova. Pode ser que você não tenha estudado todo o conteúdo - porque faltou tempo (porque você só estudou quando saiu o edital (porque você estava preocupado com outra prova (porque você sabia quando ia sair a nova prova))). Você entende a dimensão da coisa?

 

Categorias dos problemas

Ontem, pedi que você me fizesse uma pergunta (que, inclusive, serão todas respondidas aqui ou por e-mail nos próximos dias). O que queria, na verdade, era separar essas dúvidas e descobrir em quais categorias poderiam se encaixar. As categorias foram as seguintes:

 

- Escolhas

- Recursos (financeiros, temporais)

- Gerais/Procedimentais

- Pessoais (confiança, disciplina, organização)

 

Repare que, à exceção das dúvidas gerais/procedimentos, todas as demais tratam de fatores internos, ou seja, condições ou características que nós mesmos temos e que nos impedem ou dificultam a aprovação.

O que isso quer dizer? Simples. Que, se o problema está em nós, a solução também está. E reconhecer isso (visto em mais detalhes no artigo A Quinta Disciplina, a ser publicado) é o primeiro passo para encontrar a solução - que pode, sim, vir por meio das perguntas.

Entretanto, há de se observar alguns detalhes quanto a elas:

 

Critérios das perguntas 

 

Cuidado com a pessoa para quem você pergunta

Vários leitores mandaram questionamentos para enriquecer nosso artigo. Isso aconteceu por duas razões: 1) você confia que eu sou uma pessoa habilitada para responder seu questionamento; 2) Você queria ver se eu estava falando sério.

Acredito que na maioria dos casos, tenha sido por conta do número 1.

Agora pergunto: se seu vizinho comerciante que nada sabe sobre concursos tivesse pedido para você mandar para ele suas dúvidas sobre o assunto, você mandaria? Provavelmente não. Mas apesar disso, são incontáveis as pessoas que não só perguntam as coisas para pessoas que nada têm a contribuir como também se deixam abalar pelas opiniões recebidas.

Não me canso de lembrar da história do aluno que tive que fazia terapia para vencer seus problemas com concursos com uma terapeuta que não aprovava sua decisão (e deixava isso claro); ou do profissional liberal que diz que "para passar tem que estudar no mínimo 8 horas por dia" quando ele mesmo nunca tinha feito um concurso na vida; o pai de uma candidata que firmou categoricamente que "o prazo médio de aprovação é de 8 meses", fornecendo um dado que, embora possa ser não tão distante da realidade, não representa 90% dos candidatos - que levarão mais ou menos tempo para passar (um conhecido problema das médias). Mais desses pontos são abordados no artigo Mitologia, que devo publicar em outra ocasião.

Então, por mais que seja difícil, evite valorizar opiniões das pessoas que não passam pelo que passamos. Essas pessoas podem ter as melhores das intenções, mas uma palavra mal colocada em um momento de estresse pode fazer a confiança adquirida ao longo de semanas desabar - de um segundo para o outro.

A partir de um certo momento na minha carreira de estudos, decidi parar de falar para qualquer pessoa que estava prestando a prova que fosse. Porque essas pessoas, sempre bem intencionadas, queriam saber qual fora o resultado. Como vimos no artigo Não Sei, os resultados demoram um tempo para chegar e basta nossa cobrança auto-imposta. Não precisamos de outros (sei que muitas vezes a questão não é de cobrança, mas pode soar assim).

 

Faça-se perguntas

Embora o cuidado com as perguntas seja necessário, é fundamental que você comece a se perguntar por que as coisas acontecem. Esse é um caminho de autodesenvolvimento que, se mantido, certamente levará a grandes progressos em um curto espaço de tempo.

Digamos que você tenha seu cronograma de estudos completo. Ele está perfeito. Nem muito extenso nem muito curto. As disciplinas estão intercaladas. Você tem 4 horas de estudos previstas para o dia, mas só estuda duas.

Caso você se pergunte o que aconteceu, um milhão de desculpas podem surgir. "O dia estava cansativo"; "amanhã eu compenso"; "surgiu um imprevisto". Mas cada resposta dessas gera novas perguntas, sendo a última a fatídica "O que posso fazer para melhorar meu desempenho amanhã?". Você percebe a força que isso tem?

Não só em relação à procrastinação, mas também em relação àquilo que você pretende melhorar. Pode ser que você me pergunte: "Como conseguir se programar com bastante antecedência a ponto de conseguir estudar e fazer os resumos corretamente?" - algumas perguntas são mais complexas do que outras, simplesmente porque partimos de pressupostos equivocados. Aprendemos na escola que resumir é a chave do sucesso. Leia seu resumo, faça seu resumo, pegue o resumo do colega, dê uma lida e você terá um bom desempenho na prova. Mas a pergunta deveria ser: "qual a forma mais eficiente de estudar?"

"Estou tendo muita dificuldade em guardar conhecimentos". Ora, esse é um problema de revisões. Quantas vezes você revisa o conteúdo que vê? Se é como 90% dos candidatos, provavelmente poucas vezes. Por quê? Você já parou para se perguntar? Provavelmente porque as revisões levam muito tempo. Voltamos à questão da eficiência: "qual a forma mais eficiente de revisar?" se torna a chave do problema.

Perceba que esses novos enquadramentos das questões te ajudam a buscar soluções nos locais certos. Seu problema pode não ser com os estudos, pode ser com as revisões. Ou pode não ser nenhum dos dois - pode ser a falta de exercícios, que são fundamentais para um bom desempenho.

Mas como você descobre isso? Perguntando.

 

Procure perguntas positivas e voltadas à ação

Repare que as perguntas que sugeri têm um cunho prático. Elas traduzem o sentimento de "como fazer?". Busque sempre perguntas voltadas para essa estrutura - construção de um novo comportamento positivo. Porque o oposto disso pode ser desastroso.

 

Cuidado com as perguntas que faz

 

"Por que eu nunca passo?"

"Por que eu sou assim?"

"Será que tem alguém mais burro?"

"Ah, mas todo mundo foi bem na prova, não?"

 

Alguns candidatos, principalmente após alguns problemas nos concursos, começam a desenvolver uma certa amargura em relação ao que acontece consigo. E daí passam a fomentar perguntas que não contribuem para o crescimento. Repare que, enquanto as perguntas do tópico anterior focam-se essencialmente na ação seguinte (ou seja, estamos nessa situação. O que fazer para melhorar?), as perguntas do tópico atual tentam remoer uma situação que está aquém do ideal. 

Se em determinado dia não estudo tanto quanto gostaria posso me perguntar "por que sempre me saboto?" ou posso me perguntar "O que aconteceu hoje que me impediu de cumprir meu cronograma?". A segunda pergunta volta-se essencialmente para a solução do problema.

Cuidado com as perguntas que faz. Da mesma forma que elas podem ajudar, também podem prejudicar bastante seu desempenho. Aprender a enquadrar os questionamentos é uma arte simples - mas fundamental para o sucesso.

E você? Tem feito perguntas?

 


 

Aproveitando o tópico, deixo uma pergunta para você: após o feedback desses artigos e vendo o quanto me pareceram úteis para tantas pessoas, recebi uma proposta para escrever um livro que contivesse não só esses, mas outros tantos temas ligados à preparação para os concursos. Como me propus aqui a só escrever um artigo por dia, muitos interessantíssimos ficaram de fora, e tenho certeza que ajudariam muitas outras pessoas.

Seriam artigos com temas como: Planejamento, Nunca é tarde para começar, Concorrência - verdade ou ilusão, Extrínseco - o hábito de projetar o problema, Falsas Facilidade, Foco, Mitologia - as lendas dos concursos públicos, Medo, Quanto falta? Sabotagem, Vitórias, etc. Muitos desses temas foram sugeridos pelos leitores e são perguntas que aparecem na preparação praticamente todos os dias.

A ideia não é criar um "manual de aprovação", porque acho que essa não deveria ser a pretensão de ninguém, mas fazer o trabalho que estamos fazendo aqui: uma conversa, trabalhando um dia de cada vez, vendo o que é mais importante, mais angustiante e tentando muitas vezes não encontrar soluções, mas entender por que as coisas acontecem e aumentar nosso repertório de soluções. É mais uma proposta sobre o pensar nos concursos, que acredito que tenha faltado um pouco, no mar de soluções prontas que temos.

 

Então, já que estamos juntos aqui há tanto tempo, nada mais justo do que fazer uma consulta. A pergunta que faço é:

 


 


Fernando Mesquita
Coach | Ponto dos Concursos


Este artigo faz parte do grupo "Sucesso de A a Z", meu compromisso estabelecido com a grande comunidade do ponto em 29/07/2013. Um artigo por dia, cada um com uma letra do alfabeto no título. Sugestões? Comentários? Ansiedades? Deixei seu recado e faça parte de nossa crescente comunidade.





Comentários

  • 15/08/2013 - Viviane
    Fernando, o seu artigo é providencial. Realmente fazer eu faço, estudar eu estudo. O problema maior é a falta de rapidez na leitura, o fato de querer me aprofundar mais do que o necessário e ainda não conseguir me programar para realizar a revisão corretamente. Mas, olhando apenas alguns dos problemas que tanto nos atrapalham, podemos concluir o quanto estudar acertadamente é complexo e exige autoconhecimento e esclarecimento em relação ao modus operandi e as fases do aprendizado. Antes de qualquer coisa é preciso aprender a aprender e a apreender. Lá vai a pergunta: Como executar as tarefas com ausência de erros?
    abs,
  • 16/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Viviane, nesse ponto, de repente a resolução maciça de questões da banca pode te ajudar. REsolva muitas, muitas, que isso vai te ajudar a balizar o conteúdo e a necessidade de aprofundamento. É uma forma bem bacana de abordar o caso.



    O segredo não é a ausência de erros, mas a possibilidade de consertá-los e aprender com eles =D.
  • 14/08/2013 - Silvana
    Mais um artigo maravilhoso, que chega até o fundo da alma. Como já disseram aqui vc fala com a nossa alma nestes artigos. Então, estou vendo que um grave problema que tenho é o de não fazer as melhores perguntas para mim mesma, daquelas que levam à solução dos problemas. Costumo fazer perguntas do tipo: por que me saboto tanto? Enquanto o caminho certamente é perguntar como vou solucionar isso. Tomara que consiga o quanto antes mudar estes maus hábitos. Vc já está ajudando por demais com seus artigos, e sei bem que minha posição atual se deve muito mais às minhas posturas do que à quantidade de horas que fiquei sentada diante dos livros.
  • 16/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Silvana, muito obrigado pelo comentário. Fazer perguntas é realmente muito, muito importante. Mas o mais importante, como você bem ressaltou, é fazer as perguntas certas. Isso é o mais difícil. O início da mudança é uma grande vitória. Mantenha-se firme nessa postura, ok? Abraço e sucesso.
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