Prof. Fernando Mesquita

13/08/2013 | 10:04
Compartilhar

O Sucesso de A a Z - [O] <b>O</b>bjetivos - Capricho ou necessidade?

Antes de começarmos, ajude-me a escrever o artigo de amanhã.

Você tem alguma pergunta sobre concursos, estudos, preparação? Qualquer uma. Não vou delimitar mais para não estragar a surpresa. Você pode mandar sua pergunta e ainda seu nome e seu e-mail. Todas as perguntas serão respondidas, cedo ou tarde, algumas por e-mail e algumas no artigo (mas sem a identificação do perguntante). Se tiver, mande no formulário a seguir. Será de grande utilidade.

 


"Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve."

Gato da Alice

 

Quem pensava que um felino pudesse ser tão sábio? A frase acima foi retirada da obra "Alice no país das maravilhas". Ela é muito real, muito verdadeira e muito pertinente, principalmente para tudo que estamos trabalhando neste momento.

Do que adianta saber todas as técnicas do mundo, ter toda a motivação do mundo, todos os recursos do mundo e não saber o que se quer fazer? Pense nisso por um instante - é um dilema com que muitas pessoas se deparam.

Por mais que pareça estranho (e, depois de um tempo pensando a respeito, realmente é), muitos concursandos passam por esse problema. O dilema começa com "quero prestar concurso" e daí vai evoluindo, sem ritmo e sem estrutura.

 

Mas o que são objetivos?


Objetivos são pontos a serem marcados em seu mapa de aprovação, são marcos que você deve atingir e que você traça para o seu próprio desenvolvimento. São compromissos mais ou menos amplos. Exemplo: "Quero ser juiz federal". Repare que já é bem mais específico do que "passar em concurso", mas não tão específico quanto uma meta.


E metas?


Falamos de metas aqui recentemente. Uma meta é um objetivo específico, determinado e delimitado.

"Tornar-me juiz federal na região sul do país nos próximos 4 anos com os recursos que tenho" é específico (não deixa dúvidas) determinado (cobre todos os pontos necessários) e delimitado (porque tem um horizonte de tempo).

A definição de metas (na verdade, a falta dela) é uma das grandes deficiências que encontramos nos candidatos país afora.

Claro, há quem critique o estabelecimento excessivo delas. Oras, seu papel é simplesmente guiar os esforços, direcionar o resultado para aquilo que se pretende obter. O que o gato da Alice falou é muito verdade. E se você não sabe para onde está indo, tem a obrigação de se contentar com qualquer coisa que conseguir.

 

Por que traçar objetivos?


Qualquer candidatos sério precisa saber onde quer chegar e como vai fazer para tal. Os objetivos direcionam seus esforços e seus recursos para que seja possível atingi-los.

 

Eles evitam que você fique "atirando para todos os lados" e te ajudam a traçar diretrizes, que são tão importantes nos momentos de crise (que certamente virão).

 

Requisitos dos objetivos

 

Bons objetivos são realistas - não há provavelmente ninguém no mundo mais partidário do que eu em relação à ideia de que nós criamos nossa própria realidade. Portanto, não há nada que te impeça de seguir seus sonhos. Se você realmente quer, chegará lá.

 

Entretanto, pode ser que alguns estágios sejam necessários. Anos atrás, um rapaz de um órgão em que eu trabalhava me procurou para pedir conselhos sobre concursos. Conversamos bastante. Ele era esforçado e interessado. Dei a ele um exemplar do livro do William Douglas, bem como livros de disciplinas específicas que eu já não usava - que ele aceitou de bom grado.

 

Embora fosse interessado, era um rapaz muito simples. Algumas semanas adentro dessa dinâmica, perguntei-lhe qual concurso que ele desejava. Ele disse, meio envergonhado "Eu tinha pensando naquele do Senado. Gosto da ideia de trabalhar de terno". Minha reação foi de choque. Eu não esperava essa resposta, e admito que fiquei sem palavras durante alguns instantes, talvez perdendo uma janela única de motivação daquele garoto.

 

Nossa realidade é criada por nós, mas às vezes é construída peça e peça, degrau a degrau. Pode ser que haja alguns degraus entre o hoje e o seu sonho, mas é sua responsabilidade levantar todos os dias e colocar mais uma pedrinha na sua escada. A sua realidade de hoje não é sua realidade para sempre. Cabe a você elevar-se ao nível dos seus sonhos.


Bons objetivos são graduais - no item anterior, tratamos de uma parte disso. Se você esta começando, é claro que pode optar por ser consultor da Câmara como seu primeiro cargo. Mas a verdade é que, por mais bonito que isso seja, poucas pessoas têm a confiança para esse tipo de atitude. Portanto, embora saltos maiores sejam bons de tempos em tempos, ser gradual normalmente ajuda seu cérebro a lidar com a magnitude da tarefa.

 

Bons objetivos são precisos - fizemos recentemente nossa diferenciação entre objetivos e metas. Mas mesmo os objetivos precisam de algum grau de precisão, caso contrário você não teria condições de lidar com as demandas de cada etapa. Procure criar objetivos que possam ser delineados de forma breve.


Bons objetivos são significativos - repare que foram poucas as vezes que falei de significado ou dos tipos de escolhas que fazemos em termos de cargos, porque acredito muito que a aprovação gera confiança e que qualquer ocupação pode ser transformada em um ocupação significativa (só isso dava um livro inteiro). Mas lembre-se de pesar o cargo que você vai ocupar em relação àquilo que você espera. Todo cargo vai ter algum componente político e burocrático. Toda ocupação terá seus dias ruins. Mas o grau em que isso te incomoda pode muitas vezes condiciar seu grau de felicidade. Se você não suporta lidar com papel evite as áreas administrativas. Se você tem baixa tolerância ao risco físico, evite ser policial. Mas acima disso, estabeleça como você lida com essas dimensões em termos de significado. Policiais e bombeiros protegem a sociedade, juízes ajudam a coordenar as relações, enquanto analistas administrativos dão suporte às atividades dos órgãos. Para mim, não há função melhor a ser ocupada do que a última (sou louco por planilhas, relatórios e organização), enquanto para outros isso é impensável. Esse trabalho para mim é significativo, mas pode não ser para outras pessoas. Pense nisso quando estabelecer seus objetivos.

 

Objetivos são mutáveis - em um mundo ideal, você escolheria um cargo final e disso não passaria, até o dia de sua aposentadoria, feliz e realizada. A realidade não é bem assim. Com o passar do tempo, você conhece outras ocupações, tem contato com outras possibilidades e pode decidir que seu caminho é outro. Existe um custo de transição aí, que é maior ou menor a depender do tempo que você passou até chegar onde está. Se você estuda bem para a área fiscal há 2 anos, esse prejuízo será maior do que se você começou há 3 meses. Mas prejuízo maior do que esse é ficar infeliz em algo que você acha difícil mudar. Portanto, seja ponderado em suas escolhas iniciais, sim, mas não tenha medo de mudá-las pelas razões certas no momento certo. Bons objetivos se adaptam com o tempo, com a experiência e acompanham sua própria mudança.

 

Meta-meio e meta-fim


Na questão da gradualidade dos objetivos, existe uma alternativa que é a de estabelecer um ponto intermediário entre sua situação atual e o cargo que você pretende atingir. Esse comportamento tem prós e contras (tratei de alguns deles na questão da disciplina). O principal risco é você se sentir confortável na sua meta-meio (não se preocupe, acontece com todos) e ter dificuldades em atingir sua meta-fim.

Cabe a você, com base em sua situação pessoal, decidir o que é mais interessante. De uma certa forma, a meta-meio cria tranquilidade emocional (você sabe que é capaz de ser aprovado - já o foi antes; toda a pressão do mundo não está sobre você, porque bem ou mal você tem outra ocupação temporária; você tem mais dinheiro para cursos e livros) e pode ajudar, mas é necessário estar ciente dos riscos envolvidos.

Uma boa meta-meio normalmente tem relação com sua meta-fim. Se você quer ser juiz, por exemplo, um cargo de analista judiciário ou de delegado talvez seja mais interessante como meta-meio do que de auditor fiscal. Cargos em linha (no sentido de que têm matérias parecidas e são quase progressões) costumam ser boas ideias para criar uma evolução em sua carreira como concursado. 

 

Você tem objetivos claros?


Seja qual for sua escolha, lembre-se de que você terá de conviver com ela. E, seja qual for, dedique-se à construção de uma rotina sólida. Como fico feliz quando recebo mensagens dizendo "Fernando, desde que comecei a ler seus artigos, estou estudando todos os dias - o que não fazia antes". Pode ter certeza de que é isso que me estimula a aparecer aqui todos os dias e escrever para você. Eu sei que você está fazendo sua parte - porque foi esse o compromisso que traçamos alguns dias atrás, certo? Que cada um faria sua parte. Estou aqui todos os dias. Você está fazendo sua parte todos os dias?

Tivemos um pequeno problema técnico no artigo de ontem (Não Sei e a curva do desempenho), que certamente tem a ver com muitas pessoas. Se você não conseguiu deixar um recado ontem, deixe o de ontem e o de hoje, ok?

Abraço e sucesso.

 

Fernando Mesquita
Coach | Ponto dos Concursos
fernando.mesquita@pontodosconcursos.com.br

 

Este artigo faz parte do grupo "Sucesso de A a Z", meu compromisso estabelecido com a grande comunidade do ponto em 29/07/2013. Um artigo por dia, cada um com uma letra do alfabeto no título. Sugestões? Comentários? Ansiedades? Deixei seu recado e faça parte de nossa crescente comunidade.



 


Comentários

  • 14/08/2013 - Viviane
    "Você precisa ter metas de longo prazo para não se deixar frustrar pelos fracassos de curto prazo"
    Charles C. Noble
  • 18/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Viviane, seus comentários são sempre pertinentes =D. Fico feliz de vê-la aqui novamente. Perceber que estamos começando a entender a dinâmica e os processos realmente é a melhor parte. Minha expectativa é que nunca viremos doutores em concursos - porque isso leva muito tempo, mas que saibamos aquilo que é necessário e suficiente para a aprovação. Você está no caminho certo. Obrigado por comentar e sucesso.
  • 14/08/2013 - Sissy
    Meu comentário é em relação ao artigo "Não sei". Excelente artigo, como sempre! Faz 2 dias que estou lendo todos. Estou estudando há mais ou menos 6 meses, e aconteceu exatamente isso que está descrito. A primeira prova que fiz, me saí bem até. E nas outras, após começar um cursinho e a estudar, meu desempenho piorou! Fiquei muito frustrada! Mas, agora, após 6 meses, percebo que estou melhorando.
  • 18/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Sissy, muito obrigado. Uma pena que tivemos esse pequeno problema técnico com os comentários. O importante é sempre analisar a evolução, exatamente para poder perceber como estão as coisas agora, depois de algum tempo. Se a tendência for de alta (quando analisada em um quadro mais amplo), progresso está sendo feito - e isso é suficiente para se animar. Obrigado pelo comentário e bons estudos.
  • 14/08/2013 - Viviane
    O seu texto " Não Sei" me deixou NERVOSA! Ao olhar o gráfico fiquei até desanimada só em pensar quantas provas deverão ser realizadas para que a curva de conhecimento e desempenho sejam suficientes ...não pode demorar tanto...ou então eu vou desis...opa! Nem pensar em escrever uma palavra tão pessimista, tão negativa. Realmente quando eu comecei a estudar, no ano passado, não sabia nem quais eram as bancas e não entendia as siglas do mundo dos concursos. Me sentia completamente ignorante e confesso que muitas vezes, ainda hoje, me sinto inexperiente perto dos "doutores" em concursos. Na verdade a consciência da nossa própria ignorância exige esforço e trabalho. Quando a gente começa a estudar a fundo um assunto, então constatamos o quão raso somos no conhecimento referente a ele e o quanto ainda teremos que nos dedicar para saber, pelo menos, o razoável. (parte I)
  • 14/08/2013 - Viviane
    (Parte II ) Mas é importante perceber que aos poucos a gente vai melhorando e avançando no conhecimento sobre o funcionamento desse universo "concursístico". Quanto mais eu aprendo, mais vejo o quanto preciso aprender e o quanto é essencial agregar conhecimento, dia após dia. A vontade de passar é muito real e as minhas horas de estudo estendem-se ao longo do dia (atualmente até sair sangue dos olhos)...
    "Os ignorantes, que acham que sabem tudo, privam-se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER."
  • 13/08/2013 - Gabriela
    Gostei muito do artigo de hoje e de ontem. Realmente não deu para comentar. Uma pena. Em relação ao de ontem, fiquei muito mais calma após aprender sobre a curva de desempenho. Antigamente ficava frustrada ao tirar uma nota mais baixa em um concurso e sempre queria desistir. Ainda bem que não desisti. Meu desempenho está cada vez melhor e eu continuo estudando todos os dia. Em relação ao texto de hoje, tenho uma meta bem traçada na minha cabeça, mas sempre faço concursos em que caiam as mesmas matérias da minha meta final. E se for aprovada em algum, entrarei e continuarei estudando para o concurso final. Obrigada pelos textos, são muito motivantes! :D
  • 14/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Gabriela, que bacana. Faço votos para que eles continuem sendo úteis e que você consiga manter seu foco e sua dedicação. Obrigado pelo comentário e bons estudos
  • 13/08/2013 - Poliana
    Simplesmente apaixonada pelos seus artigos! Posso dizer que sou uma nova pessoa depois de ler cada um (ainda bem que não acabou ainda!). Simplesmente nasceu em mim um novo pensamento em relação aos estudos e busca dos meus sonhos! Minha curva de desempenho estava estacionada, agora ela voltará a obter movimentos (bons e ruins, como você disse) até conseguir alcançar o objetivo final! Muito obrigada novamente!
  • 14/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Poliana! Que beleza! Não acabaram e ainda temos algum chão pela frente. Com certeza, focando no seu objetivo você chegará lá. Acompanhar o desempenho é fundamental, bem como saber que ele oscila e que sempre haverá pontos altos e baixos na preparação. Bons estudos e sucesso para você. Obrigado pelo comentário!
  • 13/08/2013 - Viviane
    Fernando, o seu artigo foi muito OPORTUNO. Estou em um momento de planejamento e de organização. Estou fazendo um balanço, jogando muita coisa fora, anotando minhas metas e estabelecendo prioridades. Sei que ao longo do caminho terei que fazer ajustes e espero que esse tempo de preparação seja o mais breve possível, dentro da minha realidade (curva de desempenho). Acredito que uma das coisas mais difíceis no longo caminho é manter-se motivado. O desânimo bate a nossa porta e quer entrar, sem ser convidado!
    "Não basta dar os passos que nos devem levar um dia ao objetivo, cada passo deve ser ele próprio um objetivo em si mesmo, ao mesmo tempo que nos leva para diante."
    (Johann Goethe)
    abs
  • 14/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Viviane, vejo que você continua firme aqui conosco. Que bom. Fazer balanços é importante. Às vezes, precisamos de um tempo para recobrar o equilíbrio, mesmo. Estudar com foco e dedicação não é fácil, mas tem suas recompensas. E, de fato, Mr. Noble estava certo - quando temos uma meta de longo prazo a observar, fica mais fácil ignorar os percalços do caminho. Excelente citação. Obrigado pelo comentário. Abraço e bons estudos.
Comentar este artigo
MAIS ARTIGOS DO AUTOR
Compartilhar: