Prof. Fernando Mesquita

12/08/2013 | 11:39
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O Sucesso de A a Z - [N] <b>N</b>ão Sei

[Nota 1: Obrigado a todos que contribuíram com sugestões de temas para o artigo de hoje. Certamente sou uma pessoa muito privilegiada por poder contar com seu apoio aqui diariamente

Nota 2: Todas as enquetes aqui trabalhadas serão objetos de considerações posteriores. Escreveremos um pouco sobre cada uma para formar as impressões sobre quem somos e como estamos por aqui, ok?]



Não Sei - A importância de abraçar a ignorância

Quando me propus a escrever essa série de artigos, abri mão de tentar ser profundo e completo em todos os textos que escrevesse. Sabia que isso era utopia, simplesmente porque há um estoque limitado de brilhantismo no mundo, e também isso não me interessava - a ideia era falar de forma clara sobre alguns dos problemas que enfrentamos todos os dias.

Pedi opiniões para os leitores e vocês mandaram uma série de temas, muitos dos quais ainda serão abordados em artigos futuros. Que vontade de publicar três ou quatro em vez de um por dia. Mas propostas são propostas e lidar com limites faz parte da busca da felicidade.

Ao lidar com toda essa problemática, me deparei com a questão de não saber. Tinha feito um planejamento (do qual falaremos mais na letra P) e me deparei com um ponto interessante: eu não sabia o que fazer. Os temas que eu tinha bolado eram tão absolutamente tristes que não vou nem citá-los aqui. Mas vocês me deram boas ideias (uma delas, inclusive, sendo "Não Sei", que se tornou o tema do artigo).

Vou abordar aqui o "Não Sei" a partir da curva do conhecimento e do desempenho

Antes de começarmos, peço que você me diga se já chegou na sua prova 13 respondendo à enquete abaixo (uma nova janela se abrirá)

 

Tempo de estudos para concursos (12/08)

 

A curva do conhecimento e do desempenho

Converso muito sobre esse tópico com meus alunos. A curva do conhecimento e a curva do desempenho (aqui tratadas como uma só) são uma das maiores fontes de agonia do concursando sério. E elas geram agonia porque, embora bastante previsíveis a essa altura, são, de fato, incômodas.

Em parte, uma das razões que explica essa curva é a questão da agregação cíclica que, como dito, William Douglas tratou em seu livro Como passar em provas e Concursos. Veja como isso se aplicaria a um exemplo de desempenho na vida real:



O eixo horizontal (Prova realizada) mostra as provas que o candidato faz ao longo de sua vida. O eixo vertical (Resultado) mostra o desempenho na prova, em percentual.

Estou aqui considerando uma prova do Cespe, em que 80% normalmente significa aprovação em uma excepcional colocação, ok?

A trajetória, embora semelhante para muitos candidatos, pode e é influenciada por uma série de fatores, desde a quantidade de horas estudadas até a real vontade de ser aprovado que essa pessoa mostra.

Acompanhe comigo então;

 

Fase inicial

O concursando (ainda "concurseiro"), decide que vai estudar. Dedica-se uma ou duas vezes por semana aos estudos, claro, depois que já saiu o edital. Como resultado, atinge uma média um pouco acima de 40%, muitas vezes sendo imediatamente reprovado.

A parte seguinte provoca perplexidade. Ele pensa após a prova "poxa, não é tão difícil. Se eu tivesse estudado, poderia ter passado". É uma conclusão importante. A partir disso, começa a estudar mais, se dedica mais horas, começa a conversar com pessoas que fizeram concursos.

Após um longo período de esforço, faz sua segunda prova e o desempenho, claro, cai. Perceba no gráfico que a prova 2 tem um desempenho pior do que o da prova 1. O que aconteceu?

Simples. Ele começou a aprender. "Mas Fernando, como isso funciona?". Você provavelmente já passou por isso. Eu já passei por isso e milhares de pessoas vão passar por isso todos os anos. É simples. Quando você começa a estudar, não sabe o que está acontecendo. Você não sabe quais materiais usar, não sabe o que é importante. Não sabe que fazer exercícios é fundamental para sua aprovação. Não sabe o que a banca vai cobrar. Não sabe interpretar as questão. Você não sabe nada.

Mas isso é uma vantagem. Normalmente, os 42% da primeira prova foram sorte, enquanto os 38% de agora são conscientes. Isso significa que, se fosse qualquer outra prova, de pintor de meio-fio a juiz federal, você provavelmente teria um desempenho parecido, porque chutou a maior parte. Na sua segunda etapa, você está acertando de fato algumas questões, mas é claro que ainda há muito por aprender.

É impressionante a quantidade de candidatos que desistem nesse momento. Simplesmente por não entender a dinâmica do processo. Aqueles que arregaçam as mangas e continuam começam a ver resultados, mas não significa que a jornada seja mais fácil.

O processo se repete inúmeras vezes. Repare que a tendência é de alta para aquelas pessoas que se mantêm na estrada, mas é cheio de altos e baixos. Novamente, como isso é um exemplo, sua história e a história de conhecidos provavelmente não vai ser exatamente assim.

Agora, repare o interessante entre as provas 8 e 11. A essa altura, o candidato já passou provavelmente por mais de 6 meses de estudos desde que começou. Ele chega na prova 8 e tira cerca de 60% o que, embora ainda seja insuficiente para aprovação em certames mais concorridos, certamente é melhor do que os 38% que tinha alguns meses antes. Daí, vem uma lição importante.

 

Aprenda a olhar retrospectivamente e apreciar o resultado que tem obtido. O aprendizado acontece todos os dias para aqueles que se esforçam. E só quem fica na guerra colhe os louros da vitória.


Ao longo desses 6 meses, várias pessoas já desistiram. Mas algumas permaneceram. Chamo isso de "o funil da aprovação". Quanto mais perto você chega de sua meta, menos gente há para disputá-la com você.



Rumo à prova 13

A prova 8 é um grande divisor de águas. Você está com 60% e já entendeu que haverá altos e baixos. Você faz a prova, fica razoavelmente decepcionado, mas segue na luta. As provas 9 e a 10 chegam quando você está quase no limiar de sua sanidade, mas você fica firme, porque sabe que está tão perto de conseguir - 65%, 68%. Seu nome já aparece nas listas de aprovado, embora muitas vezes você não tenha nenhuma classificação. Você sabe que está quase lá. Quer acreditar. Então, o céu fica novamente escuro quando vem a prova 11.

Você se preparou. A essa altura, você já conhece técnicas de estudos, tem bons materiais, pode ter frequentado um cursinho ou outro, certamente adquiriu um excelente material do Ponto. Estava tudo certo. Você já tem cara de candidato sério, chega tranquilo à prova, avalia os colegas. Vê quem começou ontem, vê o pessoal mais experiente, mais vivido e que, muito honrosamente, também está procurando fazer parte do serviço público (o que eu sempre acho muito bacana quando acontece nas provas - os concursos são mesmo muito democráticos).

Você faz a prova. Estava tranquilo. Tinha um "peguinha" em Direito Constitucional (DC), uma questão em que cabe recurso em Raciocínio Lógico (RL). Acaba de fazer a prova com tempo, resolve sua vida, leva o caderno pra casa. Dois dias depois, confere o gabarito e, cheio de esperança... vê que tirou 60%.

Aí, você chuta o balde.

Diz que nunca mais vai estudar. Chora, se desespera. Diz que não valeu a pena. Cansou de concursos, não dá pra passar. É só pra quem é muito inteligente ou muito competente ou tem o dia inteiro para estudar. E deixa. Vai viver sua vida porque assim é melhor. Não é possível que você estude tanto e tenha dado um passo pra trás tão grande.

O problema? O problema é que você é o cara da parte de baixo, enquanto seu concorrente vem freneticamente atrás.






E, quando seu concorrente, que passou também por problemas mas não desistiu, persiste, ele encontra aquilo que procurava. A maioria de nós já passou por isso. Desistir quando a vitória estava muito próxima. Repare que a prova 13 era a sua prova, aquela em que você foi aprovado e pôde, finalmente, comemorar sua aprovação, curtir a família, ter tempo para se dedicar. Mas são tão poucas as pessoas que chegam à prova 13. Essa prova é, de fato, o ponto em que você está parcialmente completo e começa a adquirir plena confiança de que aquilo é possível.

É a prova que sinaliza o caminho transcorrido e tudo aquilo que foi fácil ou difícil. Mas foi sua chance e você conseguiu. O dia foi bom, a prova foi boa. Mas você continua nervoso até o dia do resultado final, que parece ter levado dois anos inteiros para sair, embora tenham sido, de fato, apenas 2 ou 3 meses.

 

E qual o problema disso tudo?

Em todas as etapas de sua vida de estudante, de candidato a concurso, de concursando, você vai não saber. Em todas elas. No início, você não sabe nada. Com o passar do tempo, você sabe cada vez mais, e tende a se especializar. A partir de um ponto, você começa a saber a matéria, mas não tem conhecimento das técnicas de estudos e percebe que elas são, de fato, ferramentas importantes, que dão uma margem de vantagem a certos candidatos. Seu desempenho começa a melhorar. Não de forma linear, porque poucas coisas são lineares na vida.

Mas você não sabe. Você não sabe quando vai passar. Não sabe quanto tempo sua vida de candidato vai durar (por isso, não deve prometer resultados para ninguém, apenas esforço ilimitado). Não sabe o que fazer, não sabe o que estudar. A uma certa altura, não sabe diferenciar um livro bom de um livro ruim ou um professor bom de um enrolador-piadista-carismático (o professor EPC, como chamo).

Acreditar que sua trajetória vai ser cheia de altos e baixos e equipar-se emocionalmente para lidar com isso muitas vezes é a diferente entre o sucesso e o fracasso, porque é a maior diferença entre quem fica e quem sai. Procure depoimentos de aprovados e verá que eles tendem a comemorar as vitórias mais do que lamentar os fracassos. Quer dizer que venceram mais do que falharam? Não. Quer dizer que entenderam que podem ser tantos fracassos quanto necessários, mas basta uma vitória para você atingir seus objetivos.

Qual sua atitude quando você não sabe? Você se desespera? Você faz pose de quem domina o assunto e finge que está tudo bem? Ou você assume que não sabe e, com a mente de um iniciante, vai atrás das respostas que precisa? Se você assume a última postura, meus parabéns, está à frente de 9,5 milhões de candidatos (pelo menos) que prestam concursos todos os anos.

 

Mas Fernando, como deixar de não saber?

Pergunta complexa...

Não saber faz parte. Toda atividade nova tem esse estágio. O que você pode fazer, na verdade é:

 

- Entender que a ignorância faz parte do processo de aprendizado
- Aceitar que ela existirá na sua vida durante um tempo
- Absorver a conduta de aprendiz (perguntar, aprender, duvidar, testar, confirmar, reforçar)
- Descobrir quais são os pontos que você não sabe
- Criar perguntas (falaremos mais sobre isso em breve)
- Procurar respostas
- Começar tudo de novo.

 

Parece fácil? Certamente é simples, fácil já não sei tanto.

Se você faz parte dessa grande comunidade que não sabe (em que eu orgulhosamente me incluo), deixe um recado e diga como você lida com aquelas coisas que você desconhece, ok?

 

Fernando Mesquita
Coach | Ponto dos Concursos
fernando.mesquita@pontodosconcursos.com.br

Este artigo faz parte do grupo "Sucesso de A a Z", meu compromisso estabelecido com a grande comunidade do ponto em 29/07/2013. Um artigo por dia, cada um com uma letra do alfabeto no título. Sugestões? Comentários? Ansiedades? Deixei seu recado e faça parte de nossa crescente comunidade.



 


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