Prof. Fernando Mesquita

11/08/2013 | 11:21
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O sucesso de A a Z - [M] <b>M</b>ade in Brazil

Feliz dia dos pais.



Obrigado pelas diversas contribuições na enquete da letra N. Ainda não decidi do que vamos falar, mas cada sugestão foi muito bacana para ajudar a ampliar o espectro de opções. Obrigado.

 

Aproveitando o tema, coloco a seguir uma enquete sobre filhos. Caso você tenha filhos ou não, por favor responda. Vai me ajudar a entender melhor quem somos e como estamos distribuídos, ok?

 




Made in Brazil


Os concursos são um fenômeno muito brasileiro. Em outros países, claro, há algum tipo de seleção dos servidores e funcionários públicos, mas essa configuração do concurso público brasileiro é quase que exclusivamente um produto tupiniquim. Podemos dizer que é uma invenção nacional, que talvez seja copiada mundo afora com adaptações, como o açaí ou a cachaça.


Falar sobre servidores públicos é bem comum em países como Índia e Estados Unidos, mas cada lugar tem sua própria cultura e seus próprios problemas. Desnecessário dizer que em todos os lugares, sofre-se o mesmo estigma que há no Brasil - o servidor público é "preguiçoso", "relapso", "descuidado" e "caro".


O Brasil tem aumentado a qualidade do serviço público ano a ano. As novas gerações de servidores mostraram-se prioritariamente compostas por jovens motivados, qualificados e com uma grande vontade de progredir e de fazer mais. Como dito alguns artigos atrás, é bem verdade que a maioria das pessoas ainda busca estabilidade e bons salários, ma isso não é necessariamente ruim - desde que essa busca seja acompanhada de uma contrapartida para o público.


É claro que é inocente pensar que todos que entrarão na máquina do estado com esse pensamento é inocente. Para eles, o professor William Douglas publicou um artigo chamado "frustrações no serviço público" que falava sobre como lidar com as pessoas menos motivadas. Dizia ele:

 

[...] penso na ideia do metro quadrado. Eu cuido do meu metro quadrado. Nele o serviço público haverá de ser honesto, eficiente, educado, humano. Como dizia Theodore Roosevelt, devemos fazer o que podemos, com o que temos, onde nós estamos (...) e tento fazer o melhor. Então, trabalho para que aquele que "cair nas minhas mãos" se considere uma pessoa de sorte. Esta pessoa terá o melhor que eu puder oferecer. De modo que tenho uma Vara elogiada, uma equipe formidável, etc.


Falamos pouco até o momento sobre as responsabilidades do servidor, mas tudo a seu tempo. Pode ser que você já tenha sido aprovado e gostaria que você pensasse em sua própria responsabilidade, por enquanto, em prover um serviço de qualidade, em se qualificar, mesmo sem o apoio de seu órgão, que você considerasse seu próprio papel na consolidação do instituto do serviço público. Se você não foi aprovado, pense em seu futuro papel como servidor. Isso é um exercício interessante e que deveria ser feito com certa regularidade.



Na maioria dos países, não há concurso público. Nos EUA, ok, há uma pequena prova para ser feita para diplomatas, por exemplo, que não se compara nem às primeiras 20 questões do concurso do Instituto Rio Branco. Os demais servidores são, em sua maioria, indicados por autoridades para ocupar cargos específicos. O mesmo na Índia, onde a elite econômica e social almeja se tornar funcionário público, mas também depende de indicação e de apadrinhamento.


Há boas histórias, como na Malásia, em que um funcionário público pode ser triado em seus anos iniciais de escola, treinado e acompanhado - e pode ganhar até 1 milhão de dólares por mês para gerir empresas estatais e grandes órgãos, mas pequenos deslizes estás sujeitos a prisão e a penas gravíssimas - que são cumpridas.


Cada país tem sua história. Se nossa história é o concursos público, nos resta agradecer, porque independente de família, independente de conhecidos, sabemos que nosso esforço direcionado e dedicado pode nos tornar servidores públicos.


A título de curiosidade, o fotógrafo holandês Jan Bannings registrou imagens de "burocratas" mundo afora e criou uma exposição.



 

Concursos são uma realidade própria e uma situação que, certamente, temos muito a celebrar. Temos problemas? Claro que temos. Mas parte de nosso trabalho como atuais ou futuros integrantes dessa realidade é contribuir para que ela se aprimore com o passar do tempo e aumente cada vez mais sua justiça e sua utilidade.


Obrigado por acompanhar. Estamos exatamente nos 50% de nossa série. Passamos por um bom tempo juntos. Espero que o período até agora lhe tenha sido proveitoso. Para mim, certamente tem sido.


E como estamos no dia dos pais, desejo a todos os pais estudantes e guerreiros força e disposição para continuar firmes na luta. Lembre-se que, mais do que deixar um bom mundo para nosso filhos, temos a responsabilidade de criar bons filhos para o nosso mundo.


Deixe um recado dizendo como as crianças afetam seus estudos. Como é ser um pai (ou uma mãe - meninas, não se sintam excluídas, ok?) que estuda?

 

Abraço e bons estudos.

 

Fernando Mesquita
Coach | Ponto dos Concursos
fernando.mesquita@pontodosconcursos.com.br

 

Este artigo faz parte do grupo "Sucesso de A a Z", meu compromisso estabelecido com a grande comunidade do ponto em 29/07/2013. Um artigo por dia, cada um com uma letra do alfabeto no título. Sugestões? Comentários? Ansiedades? Deixei seu recado e faça parte de nossa crescente comunidade.


Comentários

  • 15/08/2013 - SOLANGE SOUSA
    bom dia, tenho uma filha de 2 anos de idade e digo é muito difícil estudar com ela, tento explicar mais ela não entende estar sempre querendo minha atenção como posso fazer nesse caso professor, e queria elogiar seus post também acho o máximo e estão sempre me ajudando bastante
  • 18/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Solange, não sou especialista nessa questão de comportamento parental, embora muito interessado no tema. As crianças de 2 anos ainda são pequenas e pode ser complicado explicar algumas coisas. E, claro, isso depende de personalidade e nível de atividade da criança. Mas procure, na medida da compreensão dela explicar que você está ocupada e aproveitar cada momento de seus intervalos com ela, integralmente, com a cabeça livre e com alegria. Certamente não é fácil, mas é uma boa razão para conseguirmos, certo? Obrigado por comentar e bons estudos.
  • 14/08/2013 - Viviane
    Bom dia Fernando,
    Eu não sabia que na maioria dos países não há concurso público. Quer dizer que nesse quesito o Brasil sai na frente? Mais uma informação MOTIVADORA. Temos mesmo que celebrar e valorizar as oportunidades, pois em nosso país basta estudar e fazer valer a democracia no serviço público. A todos é disponibilizada a oportunidade de participar das seleções. Quanto à aprovação, depende do esforço de cada um. Pena que os certames estão acontecendo todos ao mesmo tempo. A impressão é que, de repente, não vai ter mais!rs.
    abs
  • 14/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Viviane, pois é. O concurso é um instituto bem brasileiro - veja que beleza. Com certeza só depende de nós estar lá e poder contribuir para com um país mais sério. De fato, esse ano está bem intenso em termos de oportunidades. Esses anos são cíclicos. Embora seja intenso agora, teremos outros (alguns de baixa, outros de alta). Torçamos para que esse seja o último e venha coroado com uma aprovação, certo? =D dedos cruzados. Obrigado pelo comentário.
  • 12/08/2013 - Joshiane Schmitt
    Bom dia Professor...
    Mais um daqueles textos fantásticos que nos fazem repensar na vida... Tenho 2 filhos (12 e 6 anos) e os crio sozinha. Trabalho 08h por dia e sou mãetorista, além de cuidar dos afazeres domésticos. Eles são a minha vida e por eles que estou lutando cada vez mais, vencendo o cansaço, sono, estresse, e privações para ser uma funcionária pública federal e ter mais tempo para eles, além de poder dar-lhes uma vida melhor... O meu maior problema nos estudos em relação aos meus guris chama-se CULPA. Por mais que eu fique um tempo com eles, e a gente brinque e se divirta muito, me sinto culpada por não ficar mais... Especialmente com o de 06 que não entende tão bem quanto meu filho adolescente... Mas depois de muito chorar e sofrer, aprendi a administrar isso também... Afinal, não sou multifuncional o dia todo pra arrepender-me por isso, não é? rsrsrs... Obrigada pelos incríveis textos. Tem feito muitaaaaaaaaa diferença na minha vida... Abraços.
  • 13/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Joshinae, muito obrigado pelo comentário. É verdade que uma grande dose de persistência é necessária para resistir às pressões do cotidiano, inclusive da ausência que se pode provocar nos filhos. Entretanto, como você disse, é importante fazê-lo. Além do mais, é um esforço limitado para um benefício permanente. Desejo muito sucesso para você e bons estudos. Abraço,
  • 11/08/2013 - Daniel Souza Salim
    Boa tarde, professor! E como domingo também é dia de texto, não poderia deixar de comentar mais um excelente artigo. A família da minha esposa é do Uruguai e sempre é difícil explicar a vontade que se tem de ser funcionário público, pois, para eles, o serviço público é sinônimo de profissional frustrado. Claro que ainda há muitos problemas com o serviço público, mas que podem ser sanados se cada um de nós fizer a sua parte e não se deixar contaminar por aqueles que somente pensam no dinheiro. Um feliz Dia dos Pais a todos aqueles que têm a bênção de ter um(a) filho(a)! E uma saudação especial para o meu pai! Abraço
  • 13/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Fala, Daniel. Muito obrigado. Bom vê-lo por aqui. Interessantíssima essa situação da família de sua esposa ser do Uruguai. Às vezes é realmente complicado orientar culturalmente os sonhos. Concordo com você na questão da resolução dos problemas. Boas ideias que surgiram desse comentário. Obrigado e bons estudos.
  • 11/08/2013 - Viviane Silva
    Professor, não tenho filhos, mas meu sobrinho de 4 anos fica comigo na parte da manhã. Sempre explico a necessidade de eu estar estudando e ele c/ tão pouca idade já possui certo entendimento, sempre pergunta se estou no meu intervalo ou se estou gravando vídeo p/ perguntar algo ou pedir alguma ajuda. É necessário que desde cedo crie a cultura dos estudos e tenha alguém de exemplo. Obrigada mais uma vez por nos motivar e que o Senhor continue iluminando muito seu caminho. Grande abraço.
  • 13/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Viviane, é bom que os pequenos já comecem a entender a importância do estudo. Poucas coisas são tão importantes quanto isso - porque em qualquer atividade que desenvolvamos, o estudo e a aplicação são fundamentais. Parabéns pela atitude e sucesso na sua jornada. Abraço,
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