Prof. Fernando Mesquita

05/08/2013 | 12:02
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O sucesso de A a Z - [D] <b>D</b>isciplina dita o desenvolvimento

Algumas vezes, tenho a impressão de que estou escrevendo artigos que mudam minha vida. Esse foi um deles.
Gostaria que, antes de começar, você me ajudasse mais uma vez a balizar nossa situação. Responda à pesquisa abaixo. São somente 4 perguntas que vão te ajudar a colocar o artigo em perspectiva.
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Muito obrigado por sua participação

"Disciplina é liberdade". Renato Russo imortalizou a frase no imaginário do Rock brasileiro nos anos 80. Embora ela seja amplamente conhecida, a afirmação guarda uma sabedoria mais profunda do que poderíamos imaginar.

Você tem tempo. Talvez não todo o tempo do mundo, mas algum tempo. Você pode até, em algum momento do passado, ter tirado férias ou saído de algum emprego para estudar. Você tem dinheiro para comprar livros. Fez cursinhos e mais cursinhos. Pode até ter sido aprovado (muitas vezes não classificado) em algum concurso. Mas, até agora, a única coisa que conseguiu, de fato, foi perder algum tempo. Soa familiar?

[Nota 1: dedico o presente artigo a todos aqueles que participaram da enquete realizada anteontem e que, por esmagadora maioria, escolheram este tema - certamente interessantíssimo, tanto para o concursando quanto para a vida. Obrigado pela participação.

Nota 2: para efeitos de esclarecimento, "disciplina" aqui abordada refere-se à autodisciplina, ou seja, lidar com a própria motivação e os próprios comportamentos em prol da necessidade de uma atividade continuada.]


O problema com a disciplina é que, ao contrário do que eu gostaria, não há resposta simples, então teremos de analisar problemas que tangenciam o caso. Venha comigo nesta jornada e garanto que encontraremos algumas boas respostas para essas perguntas tão importantes e fundamentais: "O que é disciplina" e "como tornar-me uma pessoa disciplinada".



Disciplina depende de prazer, vontade ou desejo


A "falta de disciplina" é uma eterna luta entre a gratificação instantânea e as metas de longo prazo. Sou louco por certas séries de televisão. Então, é claro que para mim é muito mais divertido ficar "amebando" na frente da televisão do que fazer algo desafiador, como estudar.

A forma mais simples de lidar com isso é "passar a gostar" daquilo que você quer fazer. Se você quer estudar mais, passe a gostar de estudar. Curta o desafio de aprender algo novo, escreva algo sobre isso, dê aulas, mesmo que seja para você. Torne a coisa divertida e interessante. E pense nisso durante um tempo, porque para a maioria das pessoas isso parece simplesmente absurdo, mas cada um tem seu tempo para entender a força disso. Dê tempo ao tempo. Mas pense nisso.

Por outro lado, tudo aquilo que queremos ser disciplinados a respeito é significativo. Ninguém tem como meta pessoal "passar mais tempo sentado no sofá" (se eu estiver enganado, por favor me diga nos comentários se for o seu caso). Você dificilmente ouvirá alguém dizendo "nossa, estudei demais hoje. Como estou arrependido disso". Seria, no mínimo, estranho.

O problema é que a gratificação instantânea acontece agora, enquanto as metas consistentes estão programadas para o futuro. E o ser humano não é particularmente bom em tratar de coisas que ainda vão acontecer (daí o problema do Brasil com a poupança, com a previdência e com as eleições).


Em relação a isso, não há resposta fácil, mas há algumas técnicas, das quais vamos falar uma agora e praticar outras nos próximos artigos.

 

O que você quer ser quando você crescer?


Pegue uma folha de papel. Escreva nela seu objetivo. Pode ser qualquer coisa - já que estamos falando de desenvolvimento pessoal e não necessariamente de concursos. Pode ser que você queira ser juiz. Pode ser que você queira ser técnico administrativo. Ninguém está aqui para julgar as escolhas.

Escreva em letras grandes. Cole na parede em um lugar que você veja todos os dias facilmente.

Todos os dias (olha o início da sua consistência aí) olhe para essa folha e pergunte "o que vou fazer hoje para chegar mais perto do meu objetivo?". Ao final do dia, antes de dormir, pergunte-se "estou um passo mais perto do meu objetivo hoje do que estava ontem?"

Simples? Demais. Pesquisas mostram que o próprio fato de você anotar e ver suas metas aumenta a probabilidade de cumprimento delas em mais de 40%. E isso é muita coisa.



O conforto aleija a disciplina e a motivação


Esse item se refere especificamente às pessoas que já passaram em algum concurso.

Muitos gurus dos concursos sugerem o "concurso trampolim", ou seja, aquele em que você passa para te dar sossego para ser aprovado em outros. E esse ponto daria pra escrever o capítulo inteiro de um livro, de tão complexo e interessante que é. Vou tentar ser o mais sucinto possível, mas permaneça comigo, que a análise é interessante.

Passar em um concurso inicial é interessante e, muitas vezes, fundamental para a vida de uma pessoa. A uma certa altura, eu mesmo me vi em tal situação, em que a aprovação, muito mais do que uma vontade, era uma necessidade, uma urgência. Claro que com urgências não se brinca, então não tive dificuldades em encontrar uma forma de ser aprovado.

Entretanto, a questão não é estática e exige um breve aprofundamento, que poderemos subdividir em a primeira aprovação e as aprovações subsequentes.



A primeira aprovação


A primeira aprovação em concursos é sempre emocionante, porque normalmente é rondada por alegria, festejos e uma ansiedade em relação àquilo que está por vir. Você não sabe como vai ser, mas normalmente imagina uma vida tranquila e um trabalho desafiador, com colegas motivados e capazes e uma estrutura que te ajuda a perseguir seus sonhos enquanto você se realiza e alcança tudo aquilo que esperava.

A verdade é que isso não poderia estar mais longe da realidade.

O serviço público é, sim, motivador e excitante, desde que você tenha as expectativas certas em relação a ele. Quando perguntei aos participantes da pesquisa do Concursandos - O livro quais as principais vantagens do serviço público, 85,18% responderam "Estabilidade". CINCO pessoas (de 890 respostas) deram respostas associadas a objetivos maiores, como "servir ao próximo" ou "melhorar a gestão pública". Cinco.

Isso não é necessariamente ruim, porque, sem entrar no mérito da coisa, é necessário que haja algum fator determinante para o interesse no serviço público e, sem uma remuneração atraente e sem a estabilidade oferecida, talvez não tivéssemos pessoas capazes como você interessadas em participar disso.

Entre em qualquer sala de aula de curso preparatório e pergunte quem está ali pela remuneração e pela estabilidade. A maioria das mãos estará levantada.

Algumas pessoas procuram no serviço público ou dimensões que ele não pode oferecer (como aventura e animação diárias) ou em medida em que ele pode oferecer (um trabalho em que não haja nenhum tipo de influência burocrática ou política). Não existe. Pode procurar o quanto quiser. E esse problema gera diversas frustrações, que se não bem examinadas e trabalhadas, levam a esse altíssimo índice de absenteísmo que se verifica no serviço público (em levantamento feito pelo Ministério do Planejamento, estava em torno de 20%).



As aprovações subsequentes


Depois que você entra no serviço público, começa a perceber que os órgãos são parecidos em termos de problemas e de oportunidades, embora sempre existam os "oásis" de qualificação e de esperança, como o Bacen e o TCU. É claro que os órgãos do topo têm sim suas diferenças em relação aos demais, mas da mesma forma têm seus problemas e o nível médio de satisfação desses servidores não necessariamente é maior do que o de outros órgãos federais equivalentes - o que mostra que boa parte dessa esperança vem de uma articulada visão associada à cultura organizacional desses locais. Mas divago.

O ponto é que, após serem aprovadas nos seus cargos intermediários (normalmente de nível médio em funções não necessariamente relacionadas àquelas que gostariam de assumir), os servidores ficam divididos entre uma vontade de ganhar mais e uma amarra no seu grau atual de conforto. Ora, estudar é claramente um abalo na estrutura de tranquilidade da rotina, o que exige DETERMINAÇÃO, não necessariamente disciplina. Pergunto: pode ser que estejamos nos focando no problema errado?

As aprovações subsequentes têm normalmente duas razões principais: a vontade de ganhar melhor e a vontade de trabalhar em um órgão que, supostamente, oferecerá mais oportunidades. Repare que em nenhum momento falei de necessidade, como no caso da primeira aprovação, mas sim de vontade. E esse é o maior fator diferenciador.
Então, começamos a travar uma luta entre manter a situação atual (que exige muito menos esforço mas também oferece menos recompensas) e alterar a situação atual (que oferece mais recompensas, mas exige um grau de esforço que nem todos estão dispostos a aceitar).

A resposta, como de costume, não é simples. A motivação é interna e cada pessoa tem sua própria situação. O que pretendo aqui não é oferecer uma generalização que englobe todas as pessoas do mundo, mas tentar iniciar uma discussão sobre por que as coisas acontecem.


 

Disciplina não é um problema de organização


Muitas pessoas pensam que basta um quadro horário para você se tornar uma pessoa mais organizada. Fazem a tal "grade" e percebem que tudo continua como se nada tivesse acontecido.

Na pesquisa do meu livro (Concursando - O livro - com lançamento previsto para 2014, cruzemos os dedos e me pergunte mais se tiver curiosidade), 69,64% dos respondentes consideram-se "Organizados" ou "Consideravelmente Organizados". Apesar disso, 96,73% dos servidores continuam estudando, ou seja, ainda não passaram no concurso que desejam como meta final. O que isso nos mostra? Que a organização, embora seja importante, não é fator suficiente para a aprovação.

Ora, posso ser a pessoa mais organizada do mundo. Se não conseguir transformar o resultado dessa organização em ação, nunca conseguirei o que quero.

Recebo inúmeros e-mails com os dizeres "Professor, não sei o que acontece. Me organizo, arrumo meu dia, saio de férias, tenho tudo pronto mas não consigo estudar". Boa parte disso vem dos pontos que já discutimos (determinação, motivação, necessidade), mas mostra que não basta a organização. Acredito genuinamente que essas pessoas sejam organizadas, mas isso não gera resultados por si só.

 

 

Disciplina gera medo


À primeira vista, a afirmação acima pode causar uma certa confusão, mas reconhecê-la é parte importante.

Quando você se torna uma pessoa disciplinada, precisa fazer as coisas de forma diferente, muitas vezes mergulhando nas profundezas da ignorância. E ignorância, infelizmente, é confundida com burrice. Então nós tiramos o foco do estado do aprendiz (não saber - ignorar) para o foco do incompetente (burro). Isso é uma das piores coisas que podemos fazer.

Não saber faz parte do processo. Quando você reconhece que não sabe, abre as portas para o conhecimento, para o descobrir, para o experimentar novas técnicas e comportamentos. Esse medo é normal, mas superá-lo é necessário. Medo todos temos e ele tem um importante papel evolutivo, mas lidar com ele é indispensável.

Mas essa não é a única razão por que sentimos medo. A outra razão, talvez a mais importante é que, além de não saber, precisamos agir diferente, o que nos leva ao próximo ponto:



Disciplina é fazer as coisas diferente


Se você quer ter disciplina, precisa aprender a dizer não. E como isso é difícil. Você precisa dizer não para os amigos que querem sair todos os dias, precisa dizer não para os familiares que querem sua atenção incessantemente, precisa dizer não para as horas extras no trabalho sem razão, precisa dizer não à procrastinação, àquelas infindáveis horas gastas na frente da televisão, dos livros de literatura ou do facebook. Precisa dizer não às pessoas que acreditam que concursos são bobagem e precisa dizer não até aos familiares, às vezes, que acham que "se você me fizer só um favorzinho de 8 horas agora não vai fazer mal, vai????" (mais sobre família e estudos em breve).

Saber dizer não é um aprendizado difícil, dolorido e cansativo. Muitas vezes, envolve nos afastarmos de pessoas que prejudicam nosso desempenho com um sorriso no rosto ou cara de coitados. Mas é necessário.


Claro, há outros problemas.

Às vezes ouço pessoas dizendo que "não têm tempo". Bom... a gente fala pra si todas as mentiras que quer, mas todos temos as mesmas 24 horas no dia. Se você as utiliza da forma como utiliza, isso é uma questão de prioridades - por mais nobres que sejam. Você estabeleceu para si aquilo como necessário ou obrigatório. Parte da disciplina é estabelecer o estudo (ou, na verdade, o que quer que seja sua necessidade agora) como prioridade. Só assim será possível encontrar o tempo para fazer o que precisa ser feito.

Além disso, fazer diferente implica diferenciar-se das pessoas ao seu redor. É comprar na baixa e vender na alta (enquanto todos os seus amigos estão fazendo o contrário). É ir para casa estudar enquanto todo mundo vai pro clube ou pra balada. E é se afundar nos livros enquanto algumas pessoas dizem que você está "negligenciando" sua família/sua mulher ou marido/seus filhos (mais sobre isso nos próximos capítulos de nossa jornada). A trajetória é solitária.

E não basta achar que fica mais fácil com o tempo. A subida sempre será solitária. Por isso é tão importante você definir suas prioridades e seus desejos de fato, o que nos leva ao próximo:



Disciplina é fazer escolhas.


Escolhas não são fáceis (e isso é especialmente fácil para alguém casado com uma libriana dizer) e envolvem diversas variáveis. O maior problema das escolhas é que elas envolver perder algo. Talvez por isso sejam tão difíceis, principalmente para aquelas pessoas que não foram habituadas a fazer escolhas.

Quando eu estava em uma das faculdades que comecei (comunicação social na Universidade de Brasília), tivemos um semestre de aulas de fotografia. Como na época estava começando uma carreira de fotógrafo profissional, tinha certeza que seria fácil, fácil passar pela experiência. Ah, como eu estava enganado.

Nosso primeiro trabalho foi tirar 200 fotos e escolher 40 delas, as melhores das melhores, feitas ao longo de dois meses.

O processo de seleção, obviamente, foi difícil, principalmente porque eu tinha um carinho especial por aquelas que selecionei. Após um longo período, chegou o dia de apresentar as imagens.


Nos reunimos em uma sala. O professor chega, olha os materiais, dá algumas sugestões e diz: "Ok, agora, tirem a metade delas". Ficamos em choque, claro. Daquelas 40 fotos, que já eram parte do que considerávamos o melhor do nosso trabalho, tínhamos de tirar a metade. Era muita coisa.

Mas seguimos firmes. Após muita conversa, deliberação e sofrimento, chegamos às 20 fotos que o professor queria. No dia da apresentação, orgulhosos pelo trabalho feito, volta o mestre e diz: "ok, agora que vocês têm um trabalho mais ou menos, quero as 5 melhores fotos de cada um. Livrem-se das 15 restantes".

Aquilo foi um choque. Além de termos nos esforçado para construir um portfólio decente, ninguém tinha a expectativa de ter de se livrar da maior parte do trabalho. A sensação era de que estávamos perdendo a maior parte do que construímos. O problema disso é o enquadramento (tratado com maestria no livro Decisive - How to make better choices in life and work, dos irmãos Dan Heath e Chip Heath) - ou seja, a forma como você expressa o problema.

Você pode achar que fazer escolhas é perder algo e pode achar que fazer escolhas é preferir algo. Eu prefiro achar que é uma questão de preferência.

Ou seja, se você estuda para concursos, vai deixar de participar de muitas coisas, é claro, mas escolhendo aquilo que é melhor e mais interessante para você, você passa a estabelecer prioridades - e essas prioridades são definidoras dos bônus e dos ônus que teremos na vida. Ninguém pode ter tudo. Mas você pode tentar escolher a parte que vai ter.

 

Disciplina é autoconhecimento


Muitas vezes, queremos fazer algo que nosso corpo programou-se muitos anos para fazer diferente - e queremos agora, para ontem. Ou seja, você passa anos construindo um hábito e quer destrui-lo da noite para o dia. Se você se habituou a ficar sentado no sofá durante dias a fio (como eu passei durante um tempo), é difícil repentinamente decidir ser uma pessoa saudável e agir de acordo imediatamente. Isso é só um exemplo, porque nos deparamos várias e várias vezes ao longo do dia com hábitos que são nocivos à nossa saúde e que foram construídos à base de muito esforço e persistência.

Seu primeiro passo é reconhecer aquilo que pode ser mudado imediatamente e aquilo que precisará de um processo um pouco mais longo.

Para algumas pessoas, o futebol de quarta-feira não é negociável, enquanto para outras, é uma questão religiosa não estudar na sexta-feira. Para um terceiro grupo, sábado é dia de diversão. Qualquer que seja a sua situação, lembre-se que o equilíbrio é a chave. Saber o que você pode ou não fazer é um ponto importante em sua jornada.

Além disso, conhecer seus limites também é fundamental. A uma certa altura da vida, eu não conseguia (fisicamente) estudar mais do que seis horas por dia, mas conheço pessoas que estudam onze horas por dia. Desde que seu estudo tenha qualidade, vale a pena. Mas lembre-se de que os compromissos que você faz devem ser seguidos, então é fundamental que você se conheça e saiba o que é capaz de fazer, para então descobrir como mudar aquilo que precisa ser mudado.

 

Disciplina é fazer todos os dias


Procure dar passos proporcionais à sua capacidade e à sua própria condição de mudança atual. Isso não significa, de forma alguma, que você deve se contentar com a situação atual e nela permanecer, procurando apenas ganhos incrementais. Essa primeira fase é de reconhecimento: perceber onde você está para planejar os próximos passos.
Pode ser que você assista muita televisão. Procure ficar um dia sem televisão. Fácil? Uma semana. Ainda fácil? Procure passar 30 dias sem ligar a televisão em casa, sem procurar por conta própria diversões televisivas. O mesmo se aplica ao facebook, se ele te atrapalha.

Pode ser que você tenha problemas com exercícios. Procure fazer uma atividade todos os dias, por 5 ou 10 minutos que sejam. Faça flexões, abdominais, marche no mesmo lugar se sua situação física for grave. Mas ponha-se em movimento.

Tem dificuldades para estudar? O tempo não rende? Procure aumentar seu tempo de estudos em 10 minutos por dia. Faça um exercício a mais todos os dias. Perceba que a análise da situação deve ser imediatamente seguida pela ação. Caso contrário, você corre o risco de passar o resto do tempo avaliando, sem nenhum tipo de providência.
Procure consistência. Falamos sobre isso no artigo sobre a "técnica" Jerry Seinfeld de consistência. Procure estabelecer uma tarefa importante e complete-a todos os dias. Faça isso e você vai ver sua consistência e sua disciplina paulatinamente se desenvolvendo.



Disciplina é estabelecer macro-objetivos e micro-metas


Macro-objetivos são aqueles futuros, grandes e importantes. "Ser auditor fiscal" é um macro-objetivo.

O problema (e onde muitas pessoas se enrolam) é que os macro-objetivos são compostos por micro-metas. Uma meta é um ponto definido, claro e delimitado. Então, "passar num concurso" não é uma meta, é um sonho (e bastante vago e perigoso, por sinal). Por outro lado, "passar em um concurso que pague entre 5 e 8 mil reais nos próximos 12 meses gastando não mais do que R$ 800,00 por mês" é uma meta - é definida (você sabe o que é), é clara (não deixa dúvidas sobre o escopo) e é delimitada (tem um prazo definido).

Micro-metas, por sua vez, são os melhores amigos da disciplina, porque te ajudam a estabelecer aquilo que deve ser feito em seguida. É tudo aquilo que te ajuda a compor seu caminho.

"Estudar o capítulo 3 do livro do Chiavenato até as 16h de amanhã para me preparar para o concurso de Assistente Administrativo da Câmara dos Deputados" é uma micro-meta (do capítulo) orientada a um macro-objetivo (a aprovação no concurso da Câmara). Um quadro horário nada mais é do que uma sequência de micro-metas, que se juntam para nos ajudar com nossos objetivos.

A questão é que elas são muito menos assustadoras e estabelecem uma hierarquia. Respondem à pergunta: "o que vou fazer agora". Evitam a paralisia da análise (não sei o que fazer) e ajudam a se manter no foco daquilo que você precisa fazer.



Em resumo


Disciplina depende de uma série de fatores e não há resposta simples para "como se tornar uma pessoa disciplinada". O que podemos dizer é que passa por um misto de vontade/necessidade (direcionada ao objetivo da disciplina), recursos (condições psicológicas e financeiras, por exemplo, de atender ao objetivo proposto), consistência (fazer sempre e todos os dias), coragem (enfrentar o medo do desconhecido) e sagacidade  (enfrentar os bloqueios mentais a fim de atingir os objetivos anteriores). Tudo isso coordenado gera o que chamamos de disciplina.

Muitas dessas características não são fáceis de serem adquiridas, mas seu esforço direcionado a elas certamente será eficaz no tempo necessário. Muitas das vezes, avaliar sua situação atual e corrigir os problemas paulatinamente gera esforços consistentes, duradouros e mais rápidos do que pensávamos.

 

Bom... se você chegou até aqui, meu muito obrigado. Foi muito interessante escrever este artigo e certamente utilizarei algumas das informações aqui contidas no meu livro.
De qualquer forma, gostaria que você deixasse um comentário ou me mandasse um e-mail com a resposta à seguinte pergunta:

"Você tem problemas com a disciplina? Quais suas principais dificuldades? O que você acha que tem te impedido de progredir da forma como gostaria?"

Acredito que seja uma discussão muito interessante para adotarmos nesse momento e pretendo aprofundar bastante o assunto, inclusive com pesquisas, para que possamos nos aproximar de uma resposta.

Sucesso e bons estudos.



Fernando Mesquita
Coach
fernando.mesquita@pontodosconcursos.com.br

 

Este artigo faz parte do grupo "Sucesso de A a Z", meu compromisso estabelecido com a grande comunidade do ponto em 29/07/2013. Um artigo por dia, cada um com uma letra do alfabeto no título. Sugestões? Comentários? Ansiedades? Deixei seu recado e faça parte de nossa crescente comunidade.


Comentários

  • 03/08/2013 - Patricia
    Olá Professor. Parabéns pelo artigo, muito interessante e de uma inteligência absurda. Aproveitando o comentário da colega Eunice, sobre especialização, já li em outros artigos dos professores do Ponto que será uma tendência. Você tem alguma indicação de pós graduação online? Visto que é mais rápido e prático.
  • 03/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Olá, Patrícia, tudo bem? Muito obrigado pelo comentário. De fato, existe uma tendência de cobrança de especialização para os servidores públicos. Isso se deve em boa parte a um estudo da FGV que tratou da questão. Em breve, vou fazer uma pesquisa e abordá-lo aqui. Sobre as especializações, gosto bastante da Unisul - inclusive, me formei por lá. Para nós, que já somos alunos do Ponto na educação a distância, a curva de adaptação é bem tranqüila. Desejo sucesso na jornada. Bons estudos.
  • 03/08/2013 - Viviane
    Bom dia prof Fernando,
    Para mim o seu texto sobre a "Disciplina" é DESAFIADOR. Lendo o seu artigo é possível perceber o quanto nós mesmos "criamos" grandes obstáculos e com isso dificultamos o nosso caminho a ser trilhado rumo a uma vitória, a um objetivo.
    Respondendo a sua pergunta: o mais difícil é a consistência, justamente a que faz a DIFERENÇA. Outro problema é a história de ficar "afiando a faca", preparando tudo e não sair disso!
    A disciplina está intimamente ligada ao grau de abstração que conseguimos ter. Há tantas informações interessantes, ali tão acessíveis, e reduzi-las as que nos trarão resultados relacionados ao nosso objetivo, em detrimento de todas as outras (tão sedutoras), exige de nós muita força de vontade! O meu problema não é a falta de interesse pelos assuntos diversos, mas o interesse em demasia.
    abs
  • 03/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Viviane, é verdade. Muitas vezes, somos nossos piores inimigos. Mas reconhecer isso é um passo importante e imprescindível. Com a quantidade de atividades divertidas no mundo, muitas vezes é difícil dar prioridade aos estudos. Mas isso vem de uma DECISÃO fundamental que deve ser tomada - a de abrir mão da satisfação imediata em prol de um futuro de tranquilidade. Obrigado por comentar.
  • 03/08/2013 - Viviane
    Estou curiosa para ter em mãos a obra "Concursando - O livro". Os seus textos aqui no Ponto, tão bem escritos, certamente vão trazer um sem número de ansiosos leitores! Pode reservar o meu!

    P.S: Não sei o motivo, mas pelo Ipad eu não consegui abrir o seu artigo. Fica na tela apenas até a segunda pergunta. Os artigos anteriores abrem normalmente.
  • 03/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Viviane, tem sido uma experiência muito boa escrever o livro - e muitas das ideias que expresso aqui são parte de reflexões mais antigas, algumas que inclusive deram origem ao desejo de criar a obra. Espero que seja interessante e útil. Certamente faço todo o esforço para que o seja.
    Em relação ao iPad, é verdade, tenho observado esse problema também. Procurarei uma alternativa e aviso quando encontrar, ok? Obrigado pelo comentário.
  • 03/08/2013 - Messias Brito de Jes
    Discussão muito bem encaminhada. Análise cuidadosa que toca nos aspectos essenciais da disciplina. A generalização do conflito entre gratificação imediata e alcance de sonhos/objetivos de longo prazo é coerente com a realidade. Este é o ponto fundamental. Vou relatar minha experiência rapidamente para problematizar a análise. Minha principal dificuldade com a disciplina é a inconsistência. Não consigo permanecer focado em um objetivo por um prazo longo. A razão principal são minhas constantes crises existenciais. Eu acabo relativizando os objetivos e sonhos diariamente, de sorte que eles vão perdendo sua relevância. Até o momento, minha solução tem sido empregar esforços em prazos menores e mais intensos, aliado a um esforço enorme para permanecer estudando ou tangenciando o objetivo, mesmo que de um modo negligente. Uma forma de não abandonar definitivamente o objetivo. Minha capacidade de realizar é grande, mas minha necessidade de porquês é ainda maior.
  • 03/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Messias, obrigado pelo comentário. Realmente, o foco é também um problema, em parte derivado de alguns dos fatores que afetam a disciplina. Entretanto, em virtude do aumento da complexidade das provas, tem-se mostrado um diferencial entre os candidatos. Pretendo escrever também um artigo sobre ele (de uma longa série de temas que estão surgindo nesses que estou escrevendo). Viver um dia de cada vez normalmente ajuda - depois de traçada uma meta consistente e consciente de longo prazo. Não há resposta fácil, cada vida tem seus enigmas. Com o tempo, diga-me se a tática dos prazos menores tem funcionado a contento, ok? Abraço e sucesso.
  • 03/08/2013 - Mariana
    Fernando, você não imagina a diferença que seus artigos estão fazendo em minha vida. Muito obrigada por compartilhar todo seu conhecimento e experiência. Abraços.
  • 03/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Mariana, ver um comentário como o seu me faz ter certeza que o trabalho aqui não é em vão - e me ajuda a continuar. Obrigado por comentar e fique conosco nessa jornada - muita coisa pela frente. Abraço e sucesso,
  • 02/08/2013 - Gabriela
    MELHOR ARTIGO DA VIDA! :D

    Adoro seus textos. São muito motivadores e esclarecedores. Continue escrevendo!
  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Obrigado por acompanhar, Gabriela. O artigo não saiu exatamente como eu gostaria, mas certamente me ajudou a clarear alguns conceitos e até a considerar isso como fonte para futuros artigos. Obrigado pelo comentário e mantenha-se firme nos estudos, ok? Abraço,
  • 02/08/2013 - simone
    Já sou concursada o que torna difícil sair da zona de conforto. Estou focando nas mini metas, creio que a estratégia tem sido boa e tenho conseguido avançar nos estudos, antes me autosabotava porque a meta de longo prazo parecia inatingível. Grata pelos artigos tão inspiradores
  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Simone, é verdade, a coisa fica mais difícil conforme vamos progredindo. Tenha consistência e fique firme. Acelere um pouco a cada dia. Certamente chegará lá. Obrigado por comentar. Abraço e sucesso.
  • 02/08/2013 - Adriana
    Leitura agradável e muito útil. Parabéns!
  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Obrigado, Adriana!
  • 02/08/2013 - Terezinha Macedo
    Comentar seus artigos é me tornar repetitiva. Sou sua fã Fernando. Estou sumida, mas vou aparecer. Continuo na caminhada. Com carinho.
  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Terezinha, que satisfação. Apareça mesmo. Mas só de saber que você está seguindo firme já me é tranquilizador. Abraço e bons estudos.
  • 02/08/2013 - Bruno
    Como explicar para a Família e principalmente a namorada que precisamos ser disciplinados para passar no concurso. Letra F - Família. Como dizer não para a namorada, não as festinhas de família da namorada, aniversário do primo, da tia da namorada, .... Eis minhas dificuldades, Seria legal escrever tipo uma carta aos familiares dos concurseiros, talvez vindo de um site e de uma pessoa gabaritada seria mais fácil mostrar a nossa situação de concurseiro a eles.
  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Bruno, esse assunto da família é delicado e interessante. Mas Família é uma das concorrentes da enquete que vou lançar amanhã para o artigo de domingo (afinal, nada melhor do que falar de família no domingo). Entre amanhã e dê seu voto. Com certeza vai ser um artigo e tanto (já estou bolando-o aqui). Obrigado por participar. Deixe sempre um comentário. Abraço e sucesso.
  • 02/08/2013 - Ana Paula Roza
    Fernando, esse artigo foi mais que motivador. Ele traz respostas, alternativas, soluções. Steve Jobs uma vez disse: "Foco é dizer não". Obrigada! :)
  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Ana Paula, obrigado. Como eu disse, se nos mantivermos em movimento, chegaremos. Obrigado por comentar e mantenha-se firme nos estudos. Às vezes, precisamos parar e olhar para os lados para saber para onde ir. Abraço,
  • 02/08/2013 - Moises Cavalcanti
    Boa tarde, Professor. Primeiramente: GE-NI-AL. Segundo, irei mandar meu comentário via e-mail porque 1000 caracteres foram poucos rs.


  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Opa, que beleza, Moisés. Muito obrigado. Bom que você gostou. Achei muito legal escrevê-lo, então deu tudo certo. Aguardo o e-mail. Abraço,
  • 02/08/2013 - Eunice
    Sou disciplinada mas, o que impede a minha progressão nos estudos (em casa) e o fato de eu não possuir,exemplo ,especialização e se o concurso para o qual eu estudo e tanto quero, RFB, exigir provas de títulos no próximo concurso estou fora.
  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Eunice, essa seria uma boa hora de começar uma pós-graduação então, não? O que te impede? Além disso, a preparação consistente ajuda a dependermos menos dos títulos cobrados (exceto no caso de Gestor - que foi um baque para todos). Abraço e bons estudos. Está preparada para a RFB?
  • 02/08/2013 - jean lopes de azeved
    Fernando, sinceramente vc comentou tudo o que eu queria falar, nem tenho o que dizer! sempre achei esse um dos fundamentos principais para que se alcance os seus objetivos. E pra falar é incrível, vc arruma a mesa de estudos, coloca os livros e quando senta para estudar, vc não estuda pois naquele dia aparece "coisas" pra vc fazer, tipo se vc nunca lavou a louça, naquele dia vc vai lavar kkkkk. Disciplina pra mim é tudooo!
  • 02/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Hehehe. Que beleza, Jean. Mas disciplina é uma coisa complicada, mesmo. A tendência é melhorar com o tempo, desde que presentes pelo menos alguns dos pressupostos que discutimos no artigo. E ainda temos bastante chão pela frente para discutir outros pontos relacionados. Continue comentando. Abraço e bons estudos.
  • 02/08/2013 - Moises Cavalcanti
    Bem, deu um problema no meu e-mail, portanto vai ser em suaves parcelas por aqui mesmo rs.

    Segundo, respondendo a "Você tem problemas com a disciplina? Quais suas principais dificuldades? O que você acha que tem te impedido de progredir da forma como gostaria?"

    TENHO.
    Sim, muitos problemas com a disciplina. Dentre as principais posso destacar EU e EU MESMO.

    Sou muito ansioso. Por exemplo, fiquei sabendo do concurso para AFT esse ano e me vi desafiado a estudar para tal certame (que realização trabalhar ajudando a melhorar a condição de trabalho do próximo, não sei se trabalhar na Receia ou no TCU seria tão gratificante assim), porém, acabei me pressionando com a imensidão de matérias inéditas e "hieróglifas"para mim, e veio a vozinha cantarolando ao meu ouvido "estuda pra um certame mais fácil como TJ, MPE etc, onde você tem mais chance de passar no nível médio".

    (cont.)
  • 03/08/2013 - Prof Fernando Mesquita
    Moisés, obrigado por comentar. Lembre-se que o desafio, muitas vezes, é do tamanho que damos a ele. Concursos periódicos nos permitem estudar com calma e não acredito que haja momento melhor na história do Brasil para se estudar do que este que estamos vivendo. Tenha foco e você verá os resultados aparecendo pouco a pouco. Desejo sucesso na busca por seus objetivos. Bons estudos e obrigado. Abraço,
  • 02/08/2013 - Moises Cavalcanti
    (continuando)

    Já sou Servidor Público Estadual, da área da saúde, e me realizo prestando um bom atendimento e orientando a população, porém quero poder fazer mais e esse mais é que me fez escrever BEM GRANDE, de frente para meu leito, "O que quero ser quando crescer? Auditor Fiscal e Escritor".

    Super abraço.

    Moisés
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